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RADIO A FERRO E FOGO

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

EDSON - GRAVETOS & BERLOTAS: PURA CURTIÇÃO EM NOME DO ROCK´N´ROLL

EDSON E SUA GUITAR
EDSON D´AQUINO É O COMANDANTE DO GRAVETOS & BERLOTAS E NOS CONCEDEU UMA ENTREVISTA QUE MARCARÁ ÉPOCA. CONVERSAMOS SOBRE MÚSICA, POLÍTICA, CONTRACULTURA E TUDO O QUE TINHAMOS DIREITO E ESQUERDA RSRSRSRS. NÃO
VAMOS À ENTREVISTA.

ESSA É NOSSA PRIMEIRA PERGUNTA. QUEM É O EDSON AQUINO FORA DO UNIVERSO BLOG?

Mesmo não sendo a pessoa mais adequada a opinar sobre isso, vou arriscar uns palpites. Antes de mais nada, o Edson d’Aquino é pai de família extremamente amoroso, formado em Desenho Industrial (muito embora nunca tenha exercido a profissão, pois ninguém sabia à época pra que merda servia isso, nem eu!) e músico-OMB 30083 de 30.07.82 - com curta, mas muito bem aproveitada formação em conservatório e que tentou, por 17 anos, sobreviver desta sua grande paixão. Hoje, um nano empresário do ramo de seguros, após alguns anos gerenciando uma das gigantes do ramo no país e, acredite se quiser, síndico já em seu terceiro mandato. Mas ele também tem uma faceta mais normal como dormir no máximo 6 horas por dia, matar a larica com sanduíches de biscoito maizena (com manteiga e queijo, é o bicho!) e Toddynho, torcer pelo Botafogo, ainda usar sunga para ir à praia, usar brinco desde os 14, estar sempre atualizado com os verbetes da Desciclopédia, gostar de Billy Joel e Prince, esquecer datas de aniversário (inclusive a dele por 2 vezes), não gostar de kraut rock, achar a Priscilla BBB meio gordinha (mas traça cheio de vontade assim mesmo!), etc.
No entanto, talvez a melhor definição para o Edson d’Aquino é a de ser um cara normal até demais, daqueles que esbarramos todos os dias no metrô, no buzum, no supermercado, no boteco, mas que esconde um grande segredo: desde moleque teimou que não precisava de ar para sobreviver, pois he bastava à música e ainda hoje tem enormes dificuldades em acreditar que isto não seja verdade.
Além disso, é um amigo leal e um camarada profundamente apegado à ética. E sacana bagarai!

2. COMO SURGIU A IDÉIA DE MONTAR O EXCELENTE BLOG GRAVETOS & BERLOTAS? QUAL É O NORTE DO BLOG?

Paulão, lá se vão 10 anos que faço do PC um meio de adquirir material via downloads. Mesmo assim, jamais poderia imaginar que um dia haveria alguma alternativa para aqueles jurássicos sistemas de compartilhamento P2P que, agravados pela conexão discada, faziam com que fechar um álbum fatalmente se transformasse em uma odisséia de 15 dias. Mas, aí, chegou a banda larga! E estava tudo caminhando muito bem, pois já existiam e-mules, torrents, etc e, a partir daí, já levava apenas umas generosas 5 horas pra baixar um disco inteiro, ueba! Num certo dia de junho de 2006, um amigo me enviou um e-mail com um link para o Lágrima Psicodélica e trombetas soaram. Comecei a baixar discos inteiros –de lá e de outros blogs que fui descobrindo, sempre com o intuito de repor digitalmente o material que tinha ainda em vinil ou adquirir o que sempre quis e nunca tive oportunidade e/ou grana pra comprar- com uma voracidade assustadora. Daí, com a ajuda do Johnny F, decidi montar um blog pra disponibilizar meu acervo –na época, uns 5000 CDs e 800 vinis (esse número já foi de 11000 vinis e 300 CDs e hoje ta em uns 25000 CDs e 500 vinis!)- já que era constantemente amaldiçoado e minha mãe ameaçada de seqüestro pelos meus amigos por não emprestar CDs, LPs e K7s nem que bancassem a Juliana Paes pra me fazer uma, digamos assim, massagem. Mas este era apenas um dos motivos. Na realidade, sempre gostei muito de escrever e percebi que eram poucos os blogs musicais em que havia uma resenha de ‘própria digitação’, mesmo que curta, acompanhando a postagem. Para mim não fazia sentido, com toda a bagagem de vida e o bom conhecimento de um assunto que transpiro desde que nasci há exatos 50 anos, apenas limitar-me a postar uma imagem e um link. E isso acabou sendo o diferencial do G&B, incentivando outros a fazerem o mesmo. Já o nome Gravetos & Berlotas foi moleza, pois o criei, ali pelos 14 anos, pra uma banda que nunca saiu da minha imaginação. Foi ‘discretamente’ baseado (ooops!) no Secos & Molhados, que bombava na época.
Agora, esse papo de norte não rola, Paulão, pois o G&B não reconhece os pontos cardeais, hehehe. Um lugar que posta Billy Joel e, pouco depois, Pandora e Blood Of The Sun e onde ainda se encontra a discog de bandas como The Mars Volta, System Of A Down e Avenged Sevenfold, é uma verdadeira ilha de ‘Lost’ pois enlouquece qualquer bússola. No mínimo, um belo caso psiquiátrico. A única certeza é que o lema do blog -‘Só Posto O Que Gosto’- é seguido à risca. E, pelo visto, existe uma meia dúzia de malucos que concordam, hehehe. Sacanagem, não tenho do que reclamar, pois o volume de comentários é sempre muito alto e a quantidade de downs é impressionante. Acho que consegui amealhar uma credibilidade bacana, ao ponto de conseguir que quase 250 incautos (até o momento) baixassem –em uma pegadinha de 1º de Abril que já se tornou tradição no site- uma banda inexistente, Damned Trick, e cujo conteúdo do link era uma seleção criteriosíssima de sucessos do...Odair José, hehehe.

CONCORDO COM VOCÊ, DEVEMOS POSTAR O QUE GOSTAMOS. MAS FICOU UMA CURIOSIDADE: EXISTE ALGO REGISTRADO DOS “QUASE FAMOSOS” GRAVETOS & BERLOTAS?

RESPOSTA: Porra nenhuma, Paulão. A banda Gravetos & Berlotas só existiu em cartazes fictícios que criava no meu caderno de escola e na areia da praia com babaquices como ‘Ingressos: Homens-1 baseado de manga rosa/Mulheres-1 boquete no líder da banda’ –meninas, não se chateiem pois -parafraseando vovô Erasmo Carlos- eu ‘era uma criança e não entendia nada’. Propus esse nome pra algumas bandas, mas sempre era rejeitado. Não sei porque, é um nome tão singelo, hehehe. Mas tenho alguns rolões e ¼’ de outras bandas em que toquei, mas me dá uma tremenda paúra de mexer naquelas caixas e tudo virar farelo; na verdade, gostaria de digitalizar esse material, mas precisaria de um daqueles jurássicos Tascam pra poder trabalhar e é muito difícil de encontrar um estúdio que tenha. Tenho também umas K7 com ensaios e demos de diversas bandas e de vez em quando ainda escuto. De material mais recente em cd tenho muitíssimo pouca coisa.
3. COMO FOI QUE VOCÊ ENTROU PARA O UNIVERSO ROCK? QUAL DISCO ENTRE, OS PRIMEIROS QUE OUVIU, AINDA HOJE ESTÁ EM SEU ALTAR DO ROCK?

Cara, me considero um privilegiado por –quando todos meus dois neurônios permitem- me lembrar de eventos extremamente remotos mas, no caso específico do rock, acho que a sua entrada na minha vida ocorreu de forma tão natural que nem percebi. Na verdade, meus pais sempre foram muito musicais. Minha mãe escutava boleros e sambas-canções (de rock só tinha uns discos de Pat Boone) e meu saudoso pai curtia de tudo desde que servisse pra demonstrar suas habilidades como pé-de-valsa, mas era, também, um talento em eletrônica. Como aparelhagens de som eram caríssimas, ele mesmo as montava, através de esquemas encartados naquelas revistinhas de eletrônica vendidas em bancas de jornal, do toca-discos ao receiver estéreo valvulado com um módulo pra cada canal. O coroa era foda! Bem, conforme o velho subia de patente (era militar do Corpo de Saúde da Marinha), a vida melhorava e começavam a entrar bons equipamentos importados, e também a tal da televisão, no nosso barraco. Talvez meu primeiro contato com o rock tenha sido através da TV e os programas da Jovem Guarda e pequenos flashes que assistia de Beatles e Stones.
Dos primeiros discos que ouvi e que continuam no meu altar particular, vou tomar a liberdade de citar dois. Até meus 8 anos, o que conhecia era muito generalizado, pois vinha das informações restritas da TV e dos programas de rádio que ouvia através do meu Transglobe (lembra disso?) velho companheiro carinhosamente acomodado debaixo de meu travesseiro. Eram os deliciosos pop e bubblegum da época com Tommy James & The Shondells, Bill Deal & The Deals, Lulu, The Turtles, 1910 Fruitgum Co., e um ou outro Moody Blues, Procol Harum, Beatles e Stones, etc. Comprava pilhas e pilhas de compactos (singles) por mês pois, por increça que parível, disco era barato já que a crise do petróleo ainda estava muito longe de ocorrer. Certo dia, já quase adormecido, começou a tocar ‘Suzie Q’ com Creedence Clearwater Revival e meus olhos imediatamente se abriram e só consegui dormir depois que o locutor disse o nome da música e da banda. Como estava perto de meu aniversário pedi como presente uma grana pra comprar uma montoeira de compactos e lá fui todo pimpão e consegui comprar meu primeiro LP em meio a mais de 30 compactos. Chamava-se, simplesmente, ‘Creedence Clearwater Revival’ e, até hoje, mesmo tendo lançado discos bem melhores posteriormente (‘Green River’ e ‘Cosmo’s Factory’, por exemplo), tenho um carinho especial por este trabalho (a cover de ‘I Put A Spell On You’ é um esculacho!), além de ter sido a primeira banda da qual realmente me tornei fã. Só que o reinado da CCR durou por muito pouco. No ano seguinte, 1969, em férias com a família em Correias/RJ, fui apresentado ao que considero um ‘marco zero’ musical pra mim. O primo mais velho de uma amiga me aplicou o primeiro disco de uma nova banda, recém-lançado e imported. Seu nome? Led Zeppelin. Enquanto a minha amiga tampava os ouvidos e gritava pra que abaixasse o volume, o meu queixo já havia colado ao chão e de lá só soltou-se depois de umas cinco audições na íntegra daquele petardo. Foi paixão à primeira orelhada! A partir de então corri atrás não só de tudo que passou a rolar de novidade –Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, Yes, Genesis, Santana, a cena Woodstock, etc- como também do que havia ficado pra trás em um passado recentíssimo, resgatando Hendrix, Janis, Jefferson Airplane, Cream e aprofundando-me em Beatles e Stones. O resto é história.

E O QUE VOCÊ ACHOU DO RETORNO DO LED ZEPPELIN?
DO CARALHO!!!!! Recentemente assisti aquele video boot que o Miguelito (aka Sarah Celeste, O Traveco Tribufú da Zona da Leopoldina, ex-beato, ex-judeu e agora SEM-budista) postou lá no SDN em 84(!!!) partes –valeu, César por gravá-lo pra mim!- em Rapidshit e...não é que a bandinha tem futuro? Mais uns ensaios e dava pra encarar uma turnê mundial de enorme sucesso. Sinceramente, achei sacanagem o Plant dar pra trás na empreitada devido ao tour de promoção daquele belo –mas meio sonolento- trabalho com a Alison Krauss. Bastava escolher uns 30 países –incluindo o Brasil e tendo como sede o Rio de Janeiro, é claro- para um farewell tour. Realmente, estava esperançoso. Agora, que não me apareçam por aqui com outro vocalista (por melhor que seja) porque será empulhação!

4. OS ANOS 70 FORAM BEM DIVERSIFICADOS PARA O ROCK: HARD ROCK, PROGRESSIVO E O APARECIMENTO DO METAL. QUE ANÁLISE VOCÊ FAZ SOBRE AQUELE PERÍODO?

Antes de mais nada, é bom esclarecer que, musicalmente, uma década inicia-se sempre em finais da anterior. O rock dos 70 é fruto imediato do rock que passou a ser produzido a partir de 67; assim como o rock dos 80 iniciou-se em 77/78. Considero que a década de 60 foi prodigiosa em criatividade, tudo era permitido. Foi o momento da total permissividade musical (e, lógico, em todos os segmentos sociais e culturais), onde criou-se o ambiente propício a tudo que passou a rolar nos 70, com a galera mais blues sedimentando o hard rock e os que vinham da psicodelia invariavelmente engrossando as fileiras do que passou a denominar-se progressive rock. Já o termo heavy metal foi cunhado não para descrever o gênero como o conhecemos a partir dos 80. Particularmente, costumo definir como bandas que mereceram o cunho heavy do período aquelas que, mesmo enfileiradas como hard, tinham pouco ou quase nada de blues em sua receita. Acho que uma análise por essa ótica é o que nos permite enquadrar bandas como Black Sabbath, Uriah Heep e algumas outras poucas, sob essa bandeira: um som pesado, denso, utilizando a rodo do recurso de temas em mid-tempo, vocalizações mais impostadas e...branco.
Mas isso tudo é só ‘viagem’ de um maluco que, mesmo precocemente, viveu todas estas fases e que considera que o melhor do rock foi feito mesmo durante os 70 porque os músicos tomaram as rédeas do seu trabalho, não se preocupavam mais em só lançar singles e encaravam a gravação de um álbum com a seriedade de um artista plástico frente a uma tela em branco. Qualquer disco –alguns anos após ‘Rubber Soul’ ter apontado nessa direção- finalmente passava a ser encarado como uma obra de arte. Infelizmente, hoje este conceito está morrendo... mas isso já é papo pra umas geladas com provolone à milaneza num boteco.

MAS, NENHUMA BANDA ATUAL PRODUZIU ALGO QUE VOCÊ PODERIA CHAMAR DE OBRA-DE-ARTE?
RESPOSTA: Obra de arte? Hummmm....deixe-me pensar, professor! Não, com certeza. Existem dezenas de novas bandas que produziram discos memoráveis como The Mars Volta (‘De-Loused In The Commatorium’), Muse (‘Absolution’), The Answer (‘Rise’), Pure Reason Revolution (‘The Dark Third’), Black Mountain (‘In The Future), Lotus (‘Complete Fruitage’), SOAD (‘Mesmerize’/’Hypnotize’), Avenged Sevenfold (o último, de 2007), etc, mas obra de arte acho que não. Todas essas aí chegaram bem perto disso, faltou um tantinho assim. Mas considero que o cenário atual é muuuuiiiiito bom, bem superior -quantitativa e qualitativamente- aos 80/90 e isso pode perfeitamente ainda acontecer ainda.


5. NOS ANOS 70 O BRASIL VIVEU SOB A DITADURA MILITAR E MUITAS MARCAS FICARAM EM NOSSA HISTÓRIA. VOCÊ VÊ ESSAS MARCAS NO ROCK DA ÉPOCA OU ACHA QUE A CENSURA CASTROU TAMBÉM A REBELDIA PRÓPRIA DO ROCK?

Paulão, EU VI o golpe militar, literalmente, ocorrer na porta de minha casa. Morava –na verdade, morei por 28 anos- na Rua Ipiranga, bairro Laranjeiras/RJ, em um prédio bem em frente ao final da R. São Salvador. Pra melhor localizar a galera, a rua em questão é paralela à Rua Pinheiro Machado, onde se localiza o Palácio da Guanabara, sede do governo à época. Na noite anterior, meu pai não havia retornado, pois ficara aquartelado no Ministério da Marinha. Acordamos -eu, minha mãe e meus dois irmãos- com a rua tomada por soldados e tanques. Enquanto achávamos -eu e meus irmãos- aquilo tudo do caralho, minha mãe demonstrava uma apreensão incomum, pois não conseguia se comunicar com meu pai pra saber o que estava ocorrendo. Por sua vez, assim que pode, o velho ligou pra casa e ordenou (e que ela alertasse o máximo possível de vizinhos da rua) que evacuasse todo o prédio imediatamente, pois toda a artilharia pesada estava focada na sede do governo, situada quase que exatamente atrás de meu prédio, e uma tragédia aconteceria caso não houvesse rendição. E lá fomos todos para os fundos do prédio, pois os militares deram toque de recolher e ninguém deveria sair à rua. Em um breve vacilo de minha progenitora fui pra rua e virei atração entre os soldados. Lembro-me perfeitamente da sua cara de espanto ao ver aquele moleque de apenas cinco anos desfilando com o fuzil e o capacete de um deles. Naquele mesmo dia, o golpe foi confirmado e todos saíram à rua pra confraternizar com os militares sem imaginar o que viria depois.
Mas é claro que esse namoro com as Forças Armadas não duraria muito e já em 70/71 saia à rua pichando muros com palavras de ordem tão ‘originais’ quanto ‘Abaixo a Ditadura!’, ‘O Governo é do Povo!’ e que tais, mesmo que fizesse pouca –ou quase nenhuma- idéia do que aquilo significava. Cheguei a ser flagrado pelo diretor de minha escola, o saudoso Prof. Fernando, em um destes atos ‘subversivos’, que apenas me passou um esporro em consideração ao fato de me conhecer desde os quatro anos de idade quando, peitando a Secretaria De Educação, corajosamente aceitou-me como aluno no C.A. ao constatar que eu já sabia ler consideravelmente bem e de forma autodidata. Aos poucos fui me engajando em movimentos estudantis, grêmios e freqüentando passeatas, pra desespero de meus pais, sempre temendo pelo pior; no entanto, apesar de politicamente esclarecido e engajado, essa fase passou, até porque creio que o país tinha pessoas mais capacitadas a desenvolver esta árdua tarefa.
O rock brazuca da época –em sua fase inicial representado pela Jovem Guarda, sempre cantando a namorada de um amigo, uma dor de corno qualquer ou dando beijinhos barulhentos no cinema- era esforçado, mas muito pobre em engajamento. Na verdade, a resistência à ditadura militar heroicamente partiu da galera da MPB que frequentemente tinha suas letras censuradas e seus ícones perseguidos, presos e virulentamente interrogados; no entanto, essa dificuldade fez com que a criatividade destruísse estas barreiras e o período tornou-se extremamente prolífico em termos poéticos, com letras até hoje consideradas verdadeiras obras-primas. Já os 70, salvo raríssimas exceções, trouxeram pro rock tupiniquim uma poética recheada de ácidos, duendes e juras de amor eterno à mãe natureza. Musical e tecnologicamente, deu um enorme passo adiante –apesar da proibição da importação de equipamentos ainda vigorar- mas, enquanto catalisador dos anseios de rebeldia de toda uma juventude (e que é uma das premissas do gênero, mas cada vez mais rara mesmo hoje no rock), continuou deixando muito a desejar.

6. ENQUANTO FAÇO AS PERGUNTAS ESTOU ESCUTANDO MARTIN BARRE, O QUE NOS REMETE AO ROCK PROGRESSIVO. VOCÊ ESTÁ FAZENDO UM EXCELENTE TRABALHO DE RECUPERAR BANDAS FORA DO EIXO USA E INGLATERRA. DE ONDE VEIO ESSA IDEIA? VOCÊ PRETENDE "RADICALIZAR" E POSTAR AS BANDAS ARGENTINAS, JAPONESAS E DE OUTRAS ÁREAS? E QUE BANDA BRASILEIRA MERECE ENTRAR NESSA POSTAGEM?

É isso que dá fumar uma morra e sentar em frente ao PC pra fazer uma postagem!
Na verdade, não sei de onde tirei essa idéia de criar a coluna ‘Fora Do Eixo’. Afinal, já disponibilizo material com essa temática desde o início das atividades do G&B, em meados de 2006. Acredito que essa idéia não vá adiante, pois não tenho tanto material assim do gênero –embora conheça muita coisa interessante de outras paragens como Grécia, Egito, Marrocos, Holanda, Suécia, Noruega, etc.- e o que tenho poderia perfeitamente continuar sendo disponibilizado da forma tradicional. Mas uma coisa posso te adiantar: provavelmente, não vai rolar nada de nossos hermanos dieguitos, apesar de gostar de Pappo’s, e dos japinhas. A verdade é que conheço o rock argentino e sempre o achei muito desinteressante; já o produzido na terra do sol nascente, apesar de sempre muito bem executado, é quase que totalmente –pelo menos das mais de 10 bandas recomendadíssimas que ouvi até hoje movido pela simples curiosidade- desprovido de criatividade, uma clichezada danada. Acho que só salvo da reta a Flower Travelin’ Band –que conheci através de Miguelito- e, assim mesmo, só o ‘Satori’. Quanto às bandas brasileiras, apesar de considerar que, no geral, estamos (ou apenas já estivemos?) em melhor situação –qualitativamente falando, já que temos algumas bandas consideradaças no exterior- que as argentinas e japonesas, o nosso rock ainda é ruim. E nossos produtores, em sua enorme maioria, em nada ajudam já que ainda não aprenderam a gravar um timbre de guitarra descente, a voz é sempre colocada em primeiríssimo plano, o som de bateria é pífio e, pasmem!, Ainda costumam gravar o baixo direto em linha (sem uso de amp)!!!!
Mas, voltando ao tema, o disco de rock brazuca que mais curto já está postado (e repostado) lá no G&B há bastante tempo em versão ‘remasterizada’ do vinil por mim, e bem elogiada pelo baterista da banda, Geraldo Darbilly, e chama-se ‘Em Busca do Tempo Perdido’ do Peso. Tenho quase certeza que todos aqui já conhecem esse disco, com uma sonoridade invejável pro rock brazuca da época, apesar de todo gravado em um estúdio caseiro. Encaixaria também a discog d’A Barca Do Sol, pois a considero o melhor folk prog já feito por estas plagas e uma obra de nível internacional.
Hoje, ando muito impressionado com o trabalho da Mindflow, principalmente o último CD, ‘Destructive Device’(2008). É heavy prog da melhor qualidade e os caras estão muito bem conceituados entre os gringos -até com verbete em inglês na Wikipedia. Mas fica difícil não citar Macaco Bong e Pata de Elefante, né? Duas bandas instrumentais brazucas que botam no chinelo muito gringo.

P...a, VOCÊ NÃO CITOU O DICK & MUTLEY RSRSRRSRS CHEGOU A OUVIR A NOSSA INSANIDADE QUE ESTÁ POSTADA NO SERES DA NOITE? SINCERAMENTE, SE VOCÊ FOSSE O “SAUDOSO” FLÁVIO CAVALCANTE QUEBRARIA NOSSO DISCO?

RESPOSTA: Paulão, confesso que não cheguei a baixá-lo. Cheguei a salvar o link no meu txt, mas, por que será?, Não consigo chegar até lá. Sempre tem um link que passa a frente. Mas prometo corrigir esta falha, hehehe.

7. COMO VOCÊ É DO RIO DE JANEIRO TALVEZ TENHA TIDO CONTATO COM A GALERA DO MÓDULO 1000. VOCÊ ACHA QUE O CULTO AO DISCO ‘NÃO FALE COM PAREDES’ É VÁLIDO? QUANDO OFEREÇO VINIL DE BANDAS BRASILEIRAS EM SITES DO EXTERIOR TODO MUNDO QUER ESSA RELÍQUIA. E O GERAÇÃO BENDITA (SPECTRUM)? ASSISTIU AO FILME?

Não tive contato com nenhum dos integrantes do Módulo 1000 à época da banda, mas conheci o Luiz Paulo e o Candinho na época do Viana em um sarau –junto com o Veludo- no Colégio S. Vicente. Tive o ‘Não Fale Com Paredes’ até pouco mais de cinco anos atrás quando me ofereceram uma graninha razoável, apesar da horrorosa capa estar meio baleada, e não pensei duas vezes em negociá-lo. Sabe, até que gosto do disco (a primeira vez que o escutei fiquei com o mantra ‘Ipso fato! Ipso Fato! Turpe Est Sine Crine Caput!’ durante uma semana rondando meu cérebro, hehehe) mas, sei lá, não sei se é pra todo esse auê não. Ao menos a banda tinha a pretensão de fazer um trabalho bem acabado, apesar das limitações de nossos estúdios à época, pois anunciavam no encarte que cada lado do disco foi limitado a 16 minutos para manter a qualidade do áudio. Sei que é mole encontrá-lo pela rede, mas ainda não o baixei porque não está entre as minhas prioridades. Temos que levar em consideração que o colecionador –principalmente os de prog e psych- é um eterno obcecado em descolar coisas estranhas de países esquisitos, não se guiando necessariamente pela qualidade da obra. É como se, com isso, quisessem dizer: ‘Vejam! Até um país de merda desses tinha uma banda de prog/psych!’. Já que você citou a ‘Spectrum’: nunca os ouvi (e nem assisti o filme ‘Geração Bendita’, do qual é trilha) mais gordos -questionei, inclusive, colecionadores amigos e bem mais ‘cascudos’ que também não faziam a menor ideia do que se tratava- e só fiquei conhecendo esse ‘Santo Graal’ há uns três anos, aproximadamente, através da grande rede. Sinceramente, achei uma merda. Mas, se os gringos querem pagar uma grana...

OS GRINGOS COMPRAM QUALQUER COISA, EU VENDI UM SÉRGIO PAPAGAIO POR R$ 1.000,00 PÁRA UM ALEMÃO. ALIÁS, JÁ OUVIU O SÉRGIO PAPAGAIO? ACHO QUE ERA O ÚNICO CARA DO MUNDO A TER ESSE DISCO E O COMPACTO DO ZERO HORA DE 1979...

RESPOSTA: KKKKKKK... Sérgio Papagaio é phoda, professor!!! Na faço idéia do que seja, mas de uma coisa tenho certeza: deverias ter sido enquadrado como 171 porra. Isso poderia ter gerado um conflito diplomático de proporções tsunâmicas. Que irresponsbilidade! hehehe

ESTOU BRINCANDO EDSON, ATÉ TENTEI VENDER, MAS NINGUÉM QUIS COMPRAR. NÃO QUER APROVEITAR A OPORTUNIDADE KAKAKAKA, VOU POSTAR NO ATITUDE EM BREVE E TE AVISO OK.

8. EM UMA DE SUAS RESENHAS, VOCÊ DIZ ESTAR COM MUITA SORTE PARA DESCOBRIR NOVAS BANDAS. QUAIS VOCÊ INDICARIA PARA A GALERA DO ATITUDE?

KKKKKKKKK, por acaso essa frase foi usada na postagem do malfadado disco de estréia da nova sensação do rock canadense (e, quiçá, mundial!), Damned Trick. Na verdade, como já disse, foi uma sacanagem de 1º de Abril e a banda é totalmente fake, fruto de minha mente ensandecida. Mas a verdade é que tenho descoberto, sim, coisas excelentes nestes 10 anos de espoliação pela grande rede e, das mais recentes, The Answer, Black Stone Cherry, Rose Hill Drive, Back Door Slam, The Parlor Mob, Plankton, Black Bonzo, Blood Of The Sun, Earl Greyhound, White Cowbell Oklahoma, Black Mountain, Antler, Wolfmother, Los Lonely Boys, Indigenous, Pure Reason Revolution (apesar de o disco novo ser meio decepcionante), e muitas outras mais, estão no topo. Na verdade, anda ocorrendo uma onda retro muito forte. De um lado -e em maioria esmagadora, mas sem acesso às rádios- as bandas influenciadas pelos 70; de outro, as apaixonadas pela sonoridade oitentista com suas baterias triggadas e ridículos timbres de Casiotone (já reparou como todas estão soando Duran Duran, Spandau Ballet, e similares?). Sinceramente, procuro sempre algo mais. É claro que meu gosto pessoal sempre recairá sobre as influenciadas pelos seventies mas não quero clones. Quando leio uma resenha do tipo ‘...a banda é tão boa que se o ouvinte fechar os olhos pensará estar ouvindo Black Sabbath em seu auge criativo...’, nem me dou ao trabalho de baixar. Eu quero escutar bandas que acrescentem o máximo que puderem de identidade própria à sua música. Sempre digo que a banda (ou músico, ou cantor (a)) perfeita é aquela que consegue ser identificada aos primeiros acordes. É isso que procuro hoje e sempre na música.

LEGAL!!! EU BAIXEI, MAS AINDA NÃO OUVI.. MAS AGORA FIQUEI VIDRADO.. QUERO OUVIR PARE DE TOMAR A PÍLULA kakakakakaaa

(Ah, sei, aquele petardo chamado ‘Stop Takin’ The Pill’, KKKKKKK)

9. COMO É SEU RELACIONAMENTO COM A GALERA DO SERES DA NOITE? O QUE SIGNIFICA FAZER PARTE DESSA TURMA QUE, MESMO SEM CONHECERMOS, CONSIDERAMOS AMIGOS NO ROCK?

Pô, Professor, agora tu pegou pesado. Será que devo lembrar-lhe do termo contratual deixando bem claro que não contaria detalhes comprometedores da vida de nenhum de meus amigos bloggers? Hehehe
Que nada, Paulão, é pura pilha. Acho que como eu, César (porra, que alívio ter decidido assumir sua verdadeira identidade) e Miguelito nos conhecemos todos já sabem pelas entrevistas deles, né? Só posso corroborar o sentimento de empatia imediata que tivemos e que foi perfeitamente descrita pelo IrmãoSão (César) e IrmãoSão GGG (Miguelito, aka Sarah Celeste, o Traveco Tribufú da Zona da Leopoldina). Aliás, é muito engraçado como, sempre que nos reunimos -quase que desde o início já com o IrmãoSinho (Maddy Lee)-, encontramos assunto pra mais de 10 horas!!! Achava que só as mulheres tinham essa capacidade, hehehe. Outro ponto interessante é que, como eu e Miguelito estamos em constante zoação mútua nos comentários (e muitas vezes nas próprias postagens), percebe-se um suspense entre os visitantes novatos, do tipo: ‘Daqui a pouco isso não vai prestar!’. Imagine se lessem nossas trocas de e-mail!!!
O ZéNato é um caso à parte, um gentleman e um excelente churrasqueiro mas que, infelizmente, convivi por poucas horas. Mas tenho certeza que ainda nos veremos muito. Já o Celsão, esse é o mais genioso e turrão de todos. Um verdadeiro ogro de coração mole, sempre me salvando quando tenho dificuldades em encontrar um disco em especial. Tenho uma curiosidade da porra em conhecê-lo pessoalmente. Tenho certeza que iríamos falar muita merda! hehehe
Mermão, resumindo, é tutti buona gente.


VOCÊ TOCOU NUM PONTO MUITO LEGAL: A AMIZADE QUE NASCE ENTRE OS PARCEIROS. ESTEJA A VONTADE PARA APARECER EM BEBEDOURO, HONRAMOS O NOME E EM UMA HORA ESTAREMOS EM RIBEIRÃO PRETO TOMANDO O MAIS FAMOSO CHOPP DO BRASIL. QUE TAL PENSAR DE VERDADE NAQUELA PROPOSTA DE UM ENCONTRO NACIONAL DOS BLOGUEIROS?

RESPOSTA: Cara, a ideia é excelente mas, por experiência própria, é meio utópico. Pra começar, seriam necessários uns seis meses só de planejamento, no mínimo. Bem, tens seguro saúde? Espero que sim pois, se você vai encarar essa empreitada, com certeza vais precisar, hehehe. Se ainda não tiver, entre em contato comigo pois tem umas promoções rolando, hehehe.


10. O QUE ACHOU DESSA IDEIA DE FAZERMOS ENTREVISTAS COM O PESSOAL DOS BLOGS? ALIÁS, ANDAMOS CHEIOS DE IDEIAS. O QUE PENSA
SOBRE OS 1001 DISCOS? O MADDY LEE (CURTI MUITO A PROPOSTA, MAS ACABEI FAZENDO UMA CONTRAPROPOSTA, COISA DE COMUNISTA, RSRSRS) INCENDIOU A NET COM SUA PROPOSTA. ESTÁ CHOVENDO E.MAIL... VOCÊ JÁ PASSOU PELOS BLOGS DA EQUIPE ATITUDE?

Totalmente genial e já estava achando que não ia ser convidado, porra.
Idéia é bom, né? É a mola-mestra da raça humana. Mas com relação a essa idéia do Maddy dos 1001 Discos, ainda não a comprei de todo, mas tenho certeza que ele tem certeza que eu vou acabar topando com certeza, hehehe. Mas já avisei que não subirei links especificamente com esse propósito; mas, como uma boa parte das minhas escolhas já está postada no G&B, é só se servir.
Paulão confesso que –apesar de você sempre ter participado ativamente com comentários lá no G&B- nunca soube que você tivesse um (ou mais) blog até o Atitude Fanzine começar com essa série de entrevistas. É que, geralmente, não me dou ao trabalho de ler o perfil dos visitantes, sacou? Falha imperdoável!
EDSON ENTRE SUAS ED-TIETES
11. O SER DA NOITE, NOSSO QUERIDO CESAR, DISSE QUE TALVEZ IRIA DAR UM JEITO DE ASSISTIR AO CONCERTO COM EX-MEMBROS DO THE DOORS AQUI EM NOSSA REGIÃO. GOSTARIA DE TER SUA OPINIÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DO THE DOORS PARA A MÚSICA DOS ANOS 60 E O SIGNIFICADO DESSAS REUNIÕES DE BANDAS DOS ANOS 60 QUE ESTÃO OCORRENDO NUM RITMO AVASSALADOR.

É inquestionável a importância dos Doors na música dos 60/70 e, também, nos 80 quando ocorreu uma revitalização devido à sua sonoridade sombria e climática e com ícones da década como os Ians (Astbury e McCulloch) dizendo-se profundamente inspirados pela poética de Morrison. Particularmente, nunca fui um fã de carteirinha da banda, mas é impossível não gostar de músicas como ‘The End’, ‘Riders On The Storm’, ‘Break On Through’, ‘Light My Fire’, ‘Love Her Madly’, ‘LA Woman’, ‘Roadhouse Blues’, ‘People Are Strange’ e ‘Hello I Love You’. A banda que vem tocar por aqui –na verdade, rebatizada como Riders On The Storm- é apenas um caça-níqueis, mas tem bons músicos, como Phil Chenn no baixo, além de Manzarek e Krieger. Eu só iria se fosse 0800. Pagar, nem pensar!
Sou totalmente a favor da reunião de bandas, seja de que época for e com o máximo de componentes originais, desde que haja um propósito muito mais nobre que ganhar rios de dinheiro excursionando por países do 3º Mundo com shows meia-bomba. Recentemente, postei o cd duplo documentando o show de reunião (há mais de 30 anos não tocavam juntos) da Raspberries e....que show phoda!!! Os caras estão nos cascos e com o sessentão Jim Bonfanti –que não montava sua Ludwig há 15 anos- provando ser um dos bateristas mais injustiçados do rock. Com certeza, um retorno que valeu muito a pena. Mas, reconheçamos, esses casos são raros.

12. SEMPRE PERGUNTO PARA A GALERA QUAL FOI O SHOW INESQUECÍVEL QUE PRESENCIOU E QUAL SERIA O SHOW QUE GOSTARIA DE TER ASSISTIDO E QUE NÃO FOI POSSÍVEL. E VOCÊ, QUAIS INDICARIA?

Vou a shows desde os 12 anos de idade pois era mascote da galera da rua, todos já na faixa dos 15 e muito ligados em música. Meus pais gostavam muito de um destes amigos (eles não sabiam mas o Antônio –infelizmente, já falecido- era o mais porra louca, hehehe) e ele, junto com aquela galera, me carregava pra todos os shows ali perto de casa e os do MAM eram os mais concorridos. Foi quando anunciaram a vinda de Santana para uma apresentação no Theatro Municipal/RJ mas meus pais achavam que seria muito perigoso e se negavam a me liberar mesmo sob os apelos do amigão Antônio. Uns três dias antes do show, a campainha toca exatamente quando já tínhamos acabado de jantar. Era o Antônio e mais de 10 lobbistas pressionando meus pais pra me liberarem e. eles não resistiram. Então, como o primeiro sut..., digo, show internacional a gente nunca esquece...
Mas, na boa, nada se compara a acompanhar seu filho em seu primeiro show internacional, no caso a Muse. Ver o brilho nos olhos daquela criança, com os mesmos 13 anos que eu tinha à época daquele show do Santana no Municipal, foi indescritível. Me emociona sempre a simples lembrança daquela noite. Até porque ambos somos fãzaços da banda. Talvez se eu tivesse que levá-lo a um show do RBD, as lembranças não fossem assim tão agradáveis, hehehe.
E o show que mais lamento não ter assistido são todos aqueles que deixei de assistir, pois um show é um momento mágico. Infelizmente, hoje não tenho essa di$ponibilidade pois os shows estão caríssimos. Tenho absoluta certeza que o ingresso de um show internacional nos 70 e boa parte dos 80 custava infinitamente menos. E hoje os caras têm uma montoeira de patrocínios. Imagine se não tivessem!!!
13. E O RIO DE JANEIRO? COMO VÊ ESSE DOMÍNIO DO PODER PARALELO? A MÍDIA TEM COLABORADO PARA ESSA IMAGEM OU É A REALIDADE?

Lógico que tem um clima criado pela mídia, sim, mas a coisa é feia mesmo. Só desdiz isto quem já se acostumou com a violência. O que não concordo é que citem apenas as facções criminosas como ‘poder paralelo’. Elas são o final do trilho. O verdadeiro ‘poder paralelo’ está nas mãos de uma parcela poderosíssima de parlamentares, policiais e juízes. Estes, sim, são os verdadeiros cabeças do tráfico, mas são intocáveis. Afinal, as drogas que mais matam são o álcool e o tabaco e, no entanto, são liberadas por ‘motivos culturais e históricos’ como já li por aí. Então, porque não liberar –devidamente regularizadas, fiscalizadas e gerando receita para a União, Estados e Municípios- outras drogas? Simplesmente porque esta corja perderia –ou veria drasticamente reduzido- seu quinhão. Estudos, do qual participaram profissionais da área de saúde, juristas e diversos outros especialistas, apontam que o proibicionismo (pode parecer estranho mas é assim mesmo como se referem) é a pior das metodologias de combate ao consumo e propõem a liberação de drogas que não causem risco imediato à vida. É difícil e custoso fiscalizar? Com certeza, mas é infinitamente mais barato que manter um efetivo militar gigantesco, ineficaz e que, em muitos casos, acaba por ceifar vidas inocentes. Legalizada e controlada, as drogas podem ser perfeitamente assimiladas pela sociedade. Alguém tem dúvidas de que a maconha já superou muitos dos preconceitos que antes pairavam sobre ela? Vários países europeus –e não vou nem citar a Holanda- já demonstraram isto, seja através de uma simples tolerância até uma total liberação do consumo. Alguns que já me conhecem do G&B, ao lerem esse trecho, dirão que estou legislando em causa própria e virão com aquela filosofia de Cap. Nascimento de botequim de que o consumo financia o crime, etcétera e tal. Mas isto é uma tremenda sandice. Quem, na verdade, financia o crime está em seus gabinetes refrigerados alimentando seus ‘comandados’ aquartelados nos morros com armas e drogas e garantindo que tudo continue exatamente como está.

14. O EDSON ATUA EM PARTIDOS, ONGS OU MOVIMENTOS DE BASE? QUE ANÁLISE FAZ DOS RUMOS DA POLÍTICA NACIONAL?

Infelizmente, fui muito ativo apenas na época de faculdade. Pode parecer lugar comum afirmar que não tenho tempo, mas é a mais pura verdade, pois, para voltar a me engajar em projetos sociais, teria que abrir mão do meu convívio em família, já que meu trabalho me toma em torno de 8h por dia –paro apenas 30min. Pra almoço- e sempre matando vários leões, pois não sou assalariado e dependo da captação de clientes. Ainda tenho minha atividade como síndico -que, todos sabemos, é muito desgastante- que desenvolvo com muita seriedade, a ponto de os condôminos afirmarem que, desde que assumi, temos o único condomínio da cidade com dinheiro (muito) em caixa. Já até sugeriram que fizéssemos como o Lulla e emprestássemos dinheiro ao FMI, hehehe. E já que falei do sapo barbudo...vou deixar por isso mesmo. Não tenho mais o menor saco pra falar sobre os desmandos desse governo, o maior caso de traição social e política da história brasileira. Um dia, assim espero, a História fará justiça a essa corja e seus netos, bisnetos e tataranetos esconderão seus rostos e mudarão seus sobrenomes envergonhados de terem nascido sob a égide de ascendentes tão inescrupulosos.
BE-BOP DE LUXE


15. PODERIA NOS INDICAR DOIS DISCOS POSTADOS NO GRAVETOS & BERLOTAS QUE EM SUA OPINIÃO REPRESENTEM A ESSÊNCIA DO BLOG? PODEMOS USAR SEU LINK ORIGINAL E SUA RESENHA PARA ACOMPANHAR ESSA ENTREVISTA?

Cara, pergunta difícil essa... Tudo bem, em primeiro lugar a coletânea dupla do Billy J....kkkkkk, sacanagem! Vamo lá, no vapt-vupt: ‘Sunburst Finish’ da Be-Bop Deluxe e ‘Last Tango’ da Esperanto. E claro que pode trazer pra cá pois os links tão funfando!
Além de ter sido dos primeiros a postar material dessas bandas, que são parte fundamental da minha educação musical, fui o primeiro a fazer uma resenha séria sobre elas levando muita gente a conhecê-las e admirar. Quem toma contato com estas duas bandas, vicia. Se quiser abusar, pode trazer a discog completa da Gentle Giant, também, hehehe.
Links:
http://gravetos-berlotas.blogspot.com/2006/12/be-bop-deluxe.html
http://gravetos-berlotas.blogspot.com/2007/11/esperanto-repost.html
http://gravetos-berlotas.blogspot.com/2007/06/gentle-giant.html


16. LEMBRO-ME DE UMA FOTO SUA COM SEU FILHO TOCANDO GUITARRA. VOCÊ TOCA OU JÁ TOCOU EM BANDAS?

Aquela foto ilustrava meu avatar e foi clicada em um ensaio aberto por volta de 2000, quando meu headbanger-eternamente mirim estava em torno de cinco anos. Ali, fui convocado por um amigo pra colocar as guitarras no seu disco solo e, além de mim, participaram, entre outros, Rabicó (ex-Dorsal Atlântica), Zelli Mansur (ex-Ed Motta) e Arthurzinho Maia (que dispensa apresentações). Puta banda, não? Acho que foi meu último trabalho em estúdio. Na verdade, desde muito cedo soube que iria me envolver com música de uma maneira bem profunda. Tudo começou quando, aos seis anos, pedi ao meu pai uma guitarra como presente de Natal. Alegando que era muito pesada pra um moleque tão franzino, ele pediu que escolhesse outra coisa; sugeri, então, um violão e ele alegou ser muito grande para as minhas mãos mas que não me preocupasse que ele já sabia o que me dar de presente: acabei ganhando um cavaquinho e quase fiz um ‘Cabong!’ na cabeça dele, hehehe. Só aos nove comecei a aprender violão e aos 13, já no conservatório, ganhei minha primeira guitarra, uma SG Giannini idêntica à posteriormente imortalizada pelo Angus Young. O cavaco ficou encostado até a época de facul quando foi esquartejado e seu braço aproveitado na construção de uma guitarra baiana para um trabalho final de Of. de Madeira II. Ficou bacaninha, mas não afinava de jeito e maneira alguma! Mas fui músico de 77 a 94 e toquei com muita gente boa (e ruim também, hehehe). O auge foi durante os 80 quando houve o boom do rock (sic!) nacional, tinha trabalho a rodo e todo mundo era levado a crer que era apenas questão de tempo tornar-se um popstar. Ganhava pouco mas me divertia bagarai, hehehe. Pena a música do período ser tão medíocre.
Hoje, participo de jams com amigos, alguns ilustres, e tenho um modestíssimo home-studio onde pratico a saudável prática da ‘masturbação musical’ tocando e gravando todos os instrumentos, de teclados a loops de batera, além das guitarras e violões. Ultimamente, tenho tocado com os maiores feras das baquetas. Em uma só música tive o prazer de contar com Manu Katché e Billy Cobham, além de Steve Gadd, que tá bolando umas ‘viradinhas’, hehehe. E tudo di grátis!!! É lógico que sempre rolam convites pra voltar a tocar, mas ainda não encontrei um trabalho que me empolgasse a ponto de voltar àquele processo orgásmico, mas também meio traumático, de se envolver com uma banda.

EDSON EM 1979





17. E O MOVIMENTO NEW PROG? TEM TIDO ECO NO BRASIL?

Acho que tem, sim. Aliás, o roqueiro (putz! detesto essa palavra!) brasileiro médio é muito simpático ao prog de uma maneira geral. Veja o espaço que bandas como The Mars Volta, Muse, Porcupine Tree, Opeth, Radiohead, Dream Theater, Pure Reason Revolution, Oceansize, etc conseguiram. Tudo bem, nem todas se enquadram no termo new prog mas, com certeza, são prog. Mesmo assim, não conheço nenhuma banda de new prog brazuca. Por que será?

18. O MIGUELITO E O CESAR NOS CONTARAM HISTÓRIAS ENGRAÇADAS ENVOLVENDO SUAS PESSOAS. E O EDSON? JÁ FICOU EM ALGUMA SAIA JUSTA OU ALGUM FATO HILÁRIO QUE PODERIA PARTILHAR COM A GALERA? ACHO INCRÍVEL A IDÉIA DA COLUNA ANTI-SOCIAL? QUEM FOI O RESPONSÁVEL POR ESSA DIVERTIDA IDÉIA?

Cara, tenho várias passagens hilárias em minha vida roquenrou; no entanto, uma em especial até hoje me diverte muito. Voltávamos, eu e aquela galera da minha rua, a pé, como sempre fazíamos, de um show dos Mutantes (fase prog) no MAM em 74. Como todos estávamos bêbados -e completamente enfumaçados- deu uma tremenda vontade de dar aquela mijada. Como o trajeto era muito escuro, esperamos chegar ao Consulado americano pra descarregar. Péssima idéia. O muro de pedra do Consulado, de uma hora pra outra, ficou totalmente tomado por uma dúzia de desesperados mijões lado-a-lado. Foi quando, de repente, apareceram três seguranças com seus ‘tresoitão’ apontados diretamente pra nós e começaram a nos chamar de subversivos fdp e teimaram em nos prender. Como era o único ‘dimenor’, fui separado do grupo pelo chefe da equipe que ficou o tempo inteiro me segurando pelo braço enquanto os demais sofriam humilhações e tomavam cascudos. Percebendo que a parada estava caminhando pra um desfecho não muito amigável, já que alguns de meus parceiros já estavam gritando ‘Abaixo a ditadura!’ e cada vez tomavam mais pescotapas, percebi que tinha de tomar uma atitude e só tinha duas opções: dizer pro chefe que era filho de militar (mas isso poderia livrar apenas minha cara e ainda me garantiria uma bela surra do velho) ou tentar quebrar na letra, usando minha capacidade de argumentação que já era bem afiada e, de repente, conseguir livrar toda a turma. Optei pela segunda e, sempre com muita calma e aceitando todos os esporros, consegui amolecer o comandante da tropa e livrar-nos daquela encrenca. Passado o susto, todos começamos a rir descontroladamente no resto do caminho de volta pra casa. Meu pai nunca soube desse entrevero e minha mãe só há alguns anos, hehehe.
Bem, a Coluna Anti-Social saiu da minha mente doentia com o intuito de reportar, sempre de maneira non-sense e num estilo meio Ibrahim Sued (o ‘papa’ do colunismo social), os encontros da gallera blogueira. E não é que faz sucesso? Tem uma visitante, a Biazinha, que leu todas as colunas de uma só tacada quando conheceu o G&B e se divertiu às pampas. É lógico que nem todas as esbórnias que promovemos vão parar nas colunas, pois banalizaria a parada.



19. E O DEBATE SOBRE PIRATARIA? PARA VOCÊ QUAL É A DEFINIÇÃO DE PIRATARIA? DOWNLOADS PREJUDICAM OU AJUDAM NA DIFUSÃO DAS BANDAS?

Apenas um item é pacífico na definição de ‘pirataria’: a intenção de auferir lucro seja através da venda e/ou de um banner de donate afixado no site. E só! Existem outras questões que ainda são controversas e devem ser estudadas com seriedade e isenção como os banners de anúncios e a inserção de pop-ups comerciais. É uma questão complexíssima e que, a cada minuto em que uma solução deixa de ser encontrada, mais complexa se torna pois novas mídias vão aparecendo. Uma coisa, no entanto, é certa: a forma de combatê-la está totalmente equivocada.
Outra certeza é que os downs ajudam, e muito, na divulgação de qualquer trabalho, seja de um artista plástico ou de uma banda, e a enorme maioria dos artistas já se rendeu a isso. De grupos de comediantes –Nós Na Fita, Os Melhores Do Mundo, Os Deznecessários, etc devem muito à internet seu sucesso no teatro- às bandas, todos se beneficiam -financeiramente, inclusive- com a grande rede. É anúncio gratuito (mesmo em horário nobre) em uma mídia que, em pouquíssimo tempo, atingirá mais lares que a própria TV.

20. FIQUE LIVRE PARA SUAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. ANTES, A PERGUNTA INEVITÁVEL: DEUS SALVA E O ROCK ALIVIA?

Sou ateu desde as vésperas de minha Primeira Comunhão –na verdade, o processo iniciou-se aos oito quando descobri que Papai Noel não existia, isso depois de sair na porrada durante mais de dois anos com colegas de escola que insistiam em me alertar sobre essa cascata, hehehe- quando, nas aulas de catecismo, a Irmã teimava em não me dar explicações plausíveis sobre aqueles dogmas do catolicismo. Com relação à Bíblia, achava tudo muito bonito (posteriormente a li na íntegra duas vezes), mas me pareciam contos de Scherazade. Portanto, não me sinto capacitado a responder essa primeira metade da pergunta. No entanto, acredito que para os que crêem em um deus todo-poderoso, com certeza pode ser gerada uma força interior que realmente os leve a encontrar uma solução para seus males. Ou, ao menos, lhes dê essa ilusão.
Se o rock alivia? Acho que a música, toda e qualquer música, tem esse poder. Mesmo aquele funk carioca, que todos aqui detestamos, é a válvula de escape daquela molecada frequentemente utilizada como massa de manobra por todas as classes; o trabalhador rural, que retorna de um dia de labuta que iniciou-se as cinco da matina, tem seu merecido momento de alívio quando coloca uma moda de viola pra tocar; o peão de obra, quando pode parar pra ouvir seu forrózim; o auxiliar de escritório tem no pagode o mote pra driblar os dissabores daquela vidinha modorrenta, e por aí vai.
Não à toa a música é chamada de ‘Arte Pura’.
E como já falei demais e a nossa onda é mesmo a música, um vício para o qual não existe –ainda bem!- cura, vou adicionar um trecho de uma música do Bituca, e imortalizada pelo 14 Bis, que, penso, deveria nortear a vida de todos nós:
“Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão”
Valeu, Paulão!


NÓS É QUE AGRADECEMOS! SEM DÚVIDA FOI UMA ENTREVISTA MUITO ESPECIAL. TENHO CERTEZA QUE A GALERA IRÁ CURTIR!
UM ABRAÇO!

domingo, 12 de abril de 2009

DUÍLIO SLAYER - HEADBANGER!!!!!


Duilio, banger das antigas, fã de Slayer é nosso entrevistado de hoje. Ficamos grato pela sua disponibilidade em trazer para a galera a história viva de quem fez o metal no Brasil. Nossa primeira pergunta é a de sempre:

Atitude:Quem é o Duílio Slayer?

Me considero um cara feliz por ter sido adolescente nos anos oitenta,e descobrir o metal quando ele estava nascendo no mundo, e acompanhei até o auge.




Duílio Slayer, você teve a oportunidade de viver o movimento headbanger em Sampa nos anos 80. Vamos começar falando do Vodu. essa banda marcou a história do metal pauista. Tive a oportunidade de tocar várias vezes em shows junto com o Pomba e em 1987 eles tocaram aqui em Bebedouro. Que lembranças você tem dessa banda? Que contatos você teve com essa galera?

Na verdade eu nunca assisti um ensaio do Vodu, conheci o Pomba através do pessoal do Anthares e na loja de camisetas Stone Shirts que ficava na rua augusta, próximo da minha casa na época.

Você tem notícias do Henrique, ex-vocalista do Anthares? Tenho informações que a banda foi reativada. Sabe algo a respeito?

Ouvi dizer que estão na ativa de novo, mas perdi contato, há muitos anos atrás fiquei sabendo que o Henrique estava morando no nordeste.
Acho que a banda está na ativa,mas a formação original,parece que restou pouco.

Atitude:Praça do Rock (aclimação), Rainbow Bar, Led Slay... o que esses nomes significam para você?

Boas lembranças de quando o metal estava a mil por hora, e surgiam bandas novas o tempo todo. Foi uma fase muito legal,aonde saiamos com os amigos detonando um metal no carro,pra chegar no Rainbow e assistir algum show,fazendo farra,jogando conversa fora.

Atitude: Entre as “bandas novas”, quais você considera que são os destaques atualmente?

Bandas novas, tenho acompanhado muito pouco. As que mais gostei foi The Force, banda do Paraguai com um som que te remete instantaneamente aos anos 80, Fueled by Fire,sem dúvida outra grande banda de thrash, e Violator, que é outra banda que toca um thrash arrasador direto de Brasília.


Palco do Rainbow Bar- Spectrus



Atitude: Dois shows considero inesquecíveis no Rainbow Bar: O do Cérbero e o do Anthares. Você esteve presente nesses dias? Que outros shows no Rainbow você poderia nos relembrar?

Estive no do Anthares ,pois o Aranha morava perto da minha casa e assisti vários ensaios deles,então queria ver os caras detonando lá, e outro foi do Vodu.

Atitude: Poderia nos dar detalhes sobre esses shows? O que ficou em sua memória?


Bom o que mais me recordo mesmo é de ficar pulando que nem um louco alucinado,dando cotoveladas e esbarrando nos outros ensandecido (rss..), o resto o goró deletou do meu HD cerebral.. rss..


Atitude: Ainda sobre o Rainbow Bar tem um fato interessante ligado a uma confusão com punks (aliás falsos punks). A banda Curto Circuito estava tocando e na saída uns bandidos vestidos de punks estavam assaltando a galera. Um dos roubados retornou e saímos em bando para pegar os safados. Você estava nesse episódio? Hoje , a distância no tempo, como você vê esse conflito entre essas turmas nos anos 80?

Não estava ,mas na época fiquei sabendo do acontecido.

Para se sincero sempre achei uma estupidez essa rivalidade,parece que hoje as coisas estão mais calmas nesse sentido.

Afinal se trata de música, e nos shows atuais as tribos convivem bem melhor, e isso é fundamental para o crescimento musical no Brasil e no mundo.


Galeria do Rock


A Woodstock e a galeria do rock eram símbolos especiais para o movimento. Hoje você ainda freqüenta esses locais? Qual a diferença entre o público da época e do de hoje?
Olha para mim era um momento mágico quando ia na Woodstock ,geralmente aos sábados e na galeria do rock,na galeria de vez em quando ainda passo e vou na loja do Marcião ( Music House) e não resisto e compro algum cd. O público antigamente era quase que exclusivamente formado por duas tribos ou punks ou quem gostava de metal. Hoje tem também um pessoal mais alternativo..rss

Atitude: O Márcio sempre foi um grande cara. Quando passar por lá mande um abraço para ele.

Mando sim, pode deixar, o cara é gente finíssima e manja muito de música.

Atitude: Depois dos quarenta somos chamados de dinossauros rsrsrs como você interpreta esse termo: positivo ou negativo kakakaka?

Olha eu brinco sempre que estou muito velho, mas o que importa é saber crescer e continuar tendo tesão pelas coisas que gostamos e manter os amigos e a família próximos. Mas não acho que seja negativo, eu estou bem resolvido,pelo menos nesse sentido, rss.
Atitude: Quais são as suas bandas preferidas? Cite os cinco discos que você considera mais influente na história do thrash Metal?

Minhas bandas preferidas são sem dúvida Slayer, Jag Panzer, Metallica ( até o Master of Puppets), Iron Maiden ( gosto muito Da fase com o Paul Dianno), e Black Sabbath que considero o início de tudo. Os discos mais influentes de thrash metal, na minha opinião são Hell Awaits, Pleasure to kill, Kill em ALL, Bonded by Blood e o Sentence of Death.

Atitude: Dos shows internacionais que você assistiu , qual o que mais lhe marcou?

Difícil responder qual mais me marcou,houve vários,porém o Slayer no Monster Of Rock, em Sampa foi monstro e o Metallica no Ginásio do Ibirapuera foi arrasador também.

Atitude: O Show do Slayer foi no Monster de 98, além desse monstro sagrado outras bandas participaram. Para mim a decepção foi o MANOWAR, que atitude mais poser querer confete o tempo todo. Adoro a banda em estúdio, mas ao vivo.. o que pensa sobre isso?

Eu gosto muito do Manowar, principalmente do Eric Adams, pra mim junto com Harry Conklin, Rob Halford, Dio e Bruce Dickinson formam a elite do metal gringo.
Porém, assim como você nunca gostei do visual e atitude dos caras.. meio farofa,,rss,mas respeito a banda pelos seus trabalhos e profissionalismo.
Eles tem um grande mérito, e possuem uma grande legião de fiéis seguidores por todos os continentes.




Atitude:Essa seqüencia de shows IRON MAIDEN, KISS, MOTORHEAD, HEAVEN AND HELL... dá pra pirar! Compare esse momento com as dificuldades para termos shows nos anos 80.

Não sei ao certo,havia muito menos shows naquela época,agora a coisa realmente melhorou nesse sentido,mas por outro lado o preço dos ingressos estão na minha opinião muito caros, considerando a renda média dos brasileiros. Acho que com a troca de arquivos,torrents, etc, a indústria da música e principalmente os artistas estão perdendo muito dinheiro,e como as gravadoras vão começar a ganhar também uma porcentagem da arrecadação dos shows, a tendência é ir ficando mais caro o ingresso. Uma pena,pois a grana não dá para ir em todos os shows que gostaria.

Atitude: Falando em shows internacionais, VÊNOM E EXCITER em 1986 ! Foi?

1986, inesquecível, o Exciter para mim roubou a cena ( não desmerecendo o Venom),mas realmente fiquei impressionado especialmente com a performance do Dan Beehler,cantando e destruindo a batera, aliás acho que o exciter foi uma das bandas que foram mais injustiçadas no metal, pois eram para realmente ficarem ao lado de grandes como o Slayer, Metallica,etc., pois talento e garra não faltava.

Atitude: Quando falamos desse show sempre penso na formação que o Vênom trouxe, sem o MANTAS a banda perdeu muito de sua agressividade. E a abertura do VULCANO? Curtiu?

Curti, mas nunca fui um grande fã da banda

Atitude: Que bandas brasileiras dos anos 80 simbolizavam para você a essência do metal brasileiro?

Comecei ouvindo Korzus,lembro de uma apresentação deles no Manbembe,então diria que Korzus, Vodu, Anthares, Vírus, Cérbero, representavam a cena oitentista tupiniquim.

Atritude: Você preserva seus vinis ou demo-tapes dessas bandas nacionais?

Infelizmente não, me desfiz quando sai da casa dos meus pais, casei, separei... me ligo em tecnologia e tenho muitos arquivos em mp3 e CDs.



O metal hoje ainda é atitude ou apelo comercial? por quê?

Para mim será sempre atitude,mas hoje tem cada lixo de banda tentando imitar as bandas antigas, e como o tempo de ouro do metal já passou, não diria que é um apelo comercial,mas falta de criatividade e a garra, o feeling praticamente se perdeu, com exceção de poucas bandas da atualidade.

Atitude: Você é um assíduo frequentador dos blogs. O que acha desse tipo de trabalho? Ficou satisfeito com o trabalho da equipe atitude?

Estou freqüentando mais assiduamente desde o ano passado, e fico feliz com o teu trabalho, teu blog está excelente, e é um trabalho muito importante de não deixar morrer o verdadeiro metal oitentista. Realmente só tenho que elogiar o teu trabalho e que você continue nessa empreitada, divulgando as bandas que realmente influenciaram musicalmente milhares de outras. Parabéns.

Atitude: Que disco gostaria de ver publicado junto a essa entrevista? Faça seu comentário sobre ele.

Putz, o que eu queria mesmo é aquela gravação ao vivo do Cérbero, o Live at the Rainbow, o batera arregaça!! Só que nunca consegui achá-lo na internet.

pronto, mando dois para você ok! após a audição gostaria de uma resenha para postar aqui ok!
AO VIVO NO LIRA PAULISTANA



Atitude: Dia 21 iremos promover o HEAVY METAL ASILO com bandas dos anos 80 ou que possuem integrantes que fizeram parte desse movimento. A Minha banda o SONS OF WAR irá tocar (ver o link no atitude underground). O que você acha dessa iniciativa?

Acho realmente fantástica essa iniciativa, e de que os mais jovens possam apreciar o verdadeiro metal.

Atitude: Gostaria de pedir sua opinião sobre o SONS OF WAR e o CRUCIA, bandas em que toquei nos anos 80 e que estaremos resgatando para o HEAVY METAL ASILO.

Gostei pra caralho!! Porrada na orelha como tem que ser!!!


Atitude: O metal brasileiro é politizado? O que acha dessa divisão entre TRASH, POWER, BLACK, DEATH, HEAVY etc...

Não acho que seja tão politizado assim, com relação a esta divisão para mim nunca fez muito sentido, pra mim se resume a amar a música pesada, não me importo e nunca me importei em definir a qual estilo pertence essa ou aquela banda. E cada vez mais aparecem esses rótulos, como brutal death metal, goregrind, splatter, para mim isso não faz muito sentido.

Atitude: Mas e a DORSAL ATLÃNTICA? A postura da banda liderada por Carlos Vândalo não era politizada?

Era é verdade, realmente tinha esquecido.


atitude: O que é ser headbanger hoje?

Não sei! Sei o que era quando tinha 17 ou 18 anos, quando não tinha internet, e ficava desesperado atrás de LP caríssimos, juntar a galera para ouvir um som novo de alguma banda, que alguém descobria, ir nos shows, na galeria, ser irreverente, usar as jaquetas com patches das bandas preferidas, com aquelas calças que não sei ainda como meu pé passava pela boca delas.. rss

(ESSE VISUAL REALMENTE ERA DEMAIS. TEVE UMA ÉPOCA EM QUE ME SENTIA O HOMEM DE FERRO...)

atitude: Agradecemos sua atenção, fique livre para suas mensagens finais. Um forte abraço

Realmente gostei de relembrar os velhos tempos, sempre tenho uma sensação de nostalgia, e mais uma vez gostaria de parabenizar o teu trabalho, que imagino não ser fácil, ainda mais agora que você não deve ter muito tempo para se dedicar, pois vem outras prioridades como trabalho, família, e portanto o teu trabalho no Atitude se torna ainda mais louvável.

Grande Abraço a você e teus colaboradores, e.. THRASH TILL DEATH!!
VALEU DUÍLIO - UM ABRAÇO MANTENHA A ATITUDE E APAREÇA SEMPRE EM NOSSOS BLOGS OK.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

CELSO LOOS - O ATITUDE ESTÁ NAS MÃOS DOS SERES DA NOITE E NÃO TEMOS GRANA PARA PAGAR O RESGATE! F....U!!!

Celso e José Renato praticando exercícios
conforme recomendação médica


Celso é um prazer poder conhecer um dos mais "polemizadores" blogueiros, além de fã número 1 do Dick & Mutley. Sempre estou atento aos seus comentários e vejo que você tem dois itens básicos que admiro nas pessoas: o criticidade e o humor. Como você se define nesse sentido? Quem é Celso Loos fora dos blogs?

R: O prazer em conceder essa entrevista às páginas amarelas dos blogs (ops.. pagou o anúncio? ) é toda minha Paulão. Na verdade não me considero um "polemizador". Se eu tivesse que me rotular, talvez eu fosse um "questionador". Nunca existe um só ponto-de-vista para uma questão; uma só verdade. Por que não pode existir réplica ou tréplica? (pronto, já comecei a questionar). Se isso for polemizar, visto a carapuça. O Celso é uma pessoa normal. Sou casado há mais de 20 anos e pai oficialmente de um pré-aborrecente e de um em gestação. Profissionalmente exerce funções correlatas ao que hoje denominam 'profissional de TI", mas eu sou mesmo “desenvolvedor de projetos”.
O que significa ser um dos SERES DA NOITE? Além desse blog (o melhor da net) você colabora com algum outro?

R: Quando eu e minha turma éramos um pouco mais jovens (apesar do Miguelito dizer ao contrário, o mais jovem sou eu) e vivíamos da grana da Mamãe, íamos a loja de discos com o suficiente para comprar um, no máximo dois, vinis. Aí o que fazíamos? Cada um de nós comprava em sociedade, ou seja, eu jamais desembolsava por um LP se o amigo já o tivesse. Quando chegávamos, começava a sessão de gravação de fita K7 (que saudade do meu gradiente CD 5500 metalfine em aço escovado. Funciona até hoje!). No final cada um ia para casa com um LP e vários K7´s.
O que quero dizer é que hoje eu uso o SDN da mesma forma. Quando eu 'upo' um disco, faço pensando que cinco ou 10 amigos se beneficiarão. Mais que isso é lucro excedente.
Cara, sinceramente não sei te dizer se o SDN é o melhor da net, mas com certeza esta entre os mais simpáticos, esta entre aqueles onde os comentários são quase sempre respondidos e os pedidos, principalmente de repost, não terminam em silêncio.

Você se lembra de alguma loja em especial? Em São Paulo, por exemplo, temos na Galeria do Rock a Baratos & Afins que é um patrimônio dos roqueiros.

R: A Baleia Discos na 308 sul e a Discodil (?) eram os lugares “mais inteirados”. Os lançamentos tinham endereço certo: A Discoteca 2001, com mais de 20 lojas. Essa existe até hoje, basicamente nos shoppings, trabalhando sempre com lançamentos. Freqüentávamos muito o Sebo do Venâncio 2000.

Como foram os seus primeiros passos no mundo do rock´n´roll? Lembra-se do seu primeiro disco?

R: Comecei por osmose, pois eu e meu irmão mais velho dormíamos no mesmo quarto e o Led Zeppelin, Stones, etc, etc e etc eram ininterruptos. Meu primeiro vinil? Acho que foi um Queen.


Assisti a dois shows do Queen: Um em São Paulo, no Morumbi e o do Rock in Rio. Essa banda para mim teve uma das melhores formações da história do rock e o seu retorno com Paul Rodgers foi meio frustrante,não pelo som, mas pela falta da essência. Você partilha dessa idéia? O que pensa do Queen sem Freddy Mercury?

R: Pense no The Who sem Townshend., o Traffic sem Winwood, o Free sem o próprio Paul Rodgers.
Mas destaco duas coisas positivas nesse caso:
1) Paul Rodgers, velho de estrada, não tentou ser Mercury. Impôs sua condição de um dos melhores vocalistas do mundo e dá a sua interpretação para as músicas.
2) Poderia ser pior, lembra que o George Michael chegou a se insinuar para os outros três?
Todavia, não acho que aquilo deveria se chamar Queen.

O Cesar fez referências ao papel da contracultura em sua formação. Você também se considera um herdeiro dessa tradição? Como você analisa aquele momento histórico e seus lemas; FAÇA AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA E SEXO, DROGAS E ROCK´N´ROLL?

R: Sinceramente nunca parei para analisar sobre isso. Dentro desse contexto, hoje temos mais guerras do que em 60; A relação entre as pessoas é mais pueril e a grande maioria dos pais de minha idade fazem com seus filhos tudo aquilo que odiavam que os seus (deles) faziam. É como aquela música do Belchior Minha dor é perceber / Que apesar de termos / Feito tudo, tudo, tudo / Tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos / E vivemos / Como Os Nossos Pais.Quanto a drogas, quando mais jovem bebía um litro de Vodca. Hoje, só me permito algumas dúzias de cervejas. Ah sim! Nunca ouvi Billy Joel e Prince (isso é um absurdo, são dois ícones da música mundial rsrsrsrsrsrsr, aliás é prince, ex-prince,um símbolo...que merda é esse cara heinnnn???)

Essa música do Belchior está carregada de distopia. Você vê na geração sessenta essa dicotomia: viver a utopia e a distopia? Seguindo esse raciocínio teríamos ser jovem é a TESE, ser adulto a sua ANTITESE e a frustração a SÍNTESE? Ou é muita piração?

Sei lá cara! Esse negócio tá ficando muito confuso. O que eu sei é que todas as gerações, inclusive as que estão nascendo hoje, passarão por isso: descobrir que envelheceu e esta cada dia mais próximo da morte. Perceber que aos 40 ele conhece mais gente com 20 do que com 60 e, portanto, o asfalto esta acabando. The long and winding road Paulão. Aí, como nossos pais, falamos: “que nada, envelhecer é muito bom, te dá experiência e k4raio”. Conversa! Eu trocaria toda minha experiência, todas a coisas boas que me aconteceram e todas as frustrações acumuladas, para poder ter 20 novamente, viver tudo novamente e rever os amigos que já partiram. ( c......o, concordo plenamente!!!)

Seus comentários sempre trazem doses de humor e da ironia socrática (fazer pensar). Creio que essa é a essência do rock´n´roll, você a vê nas bandas atuais?
R: Um amigo meu diz que eu tenho que parar com isso, pois tempo é dinheiro. Não conheço, não ouço e nem me interesso em conhecer as bandas atuais. Dessa forma, qualquer coisa que eu tivesse que falar sobre elas teria que pesquisar na Wikipedia. Sou. Mal comparando, como aqueles que curtem os grandes compositores clássicos, Bethoven, Bach, Wagner e Dvorak já me bastam. (cara, se tempo realmente fosse dinheiro vagabundo seria bilionário rsrsrs, tem tempo rá cacete rsrsrsr)
Celso apresentando seu programa na TV TUPI

Recentemente o Maddy Lee fez uma proposta para levantarmos os 1001 discos mais importantes do rock e fazermos uma postagem coletiva. Por que você tem se posicionado contrário?

R: Não me posicionei contrário! Apenas acho que esse serviço está parecendo terapia ocupacional de um hospício. É serviço de louco. Mas como também sou doido vou acabar ajudando.

E com certeza sua ajuda será fundamental. Creio que conseguir um critério é que será complicado. Cada um tentará “puxar sardinha” para sua praia. Eu havia entendido que você estava marcando posição contrária.

Listas sempre levantarão polêmicas. É que nem eleger a seleção dos sonhos. Sempre terá um perna-de-pau flamenguista e um outro corinthiano. É a maioria. E a maioria sempre vence.
Tenha em mente o seguinte. Eu nunca tive problemas com meu jeito de ser. Sabe por quê? Porque vou até aonde cabem argumentos. Acabaram os argumentos? Acabou a discussão. E se de um lado o cara não quer ouvir argumento, também acabou a discussão. Mas que existem muitos pernas-de-pau....



Indicar 1001 discos já percebemos que não ser a sua praia, mas e os cinco discos que você considera dignos de homenagens? Quais seriam suas indicações e as razões para cada um?
R: Putz! Aí é o mesmo caso dos 1001, 1002 ou qualquer número, não há como cair na vala comum Mas vai lá, de cabeça: The Who Sell Out, Led I, Humble Pie Smokin', Traffic John Barleycorn e Cream Disreali. Só não ponho o Who´s Next por causa de Behind Blue Eyes. Se perguntar de novo a lista vai mudar. As razões? São discos bons bagarai.

Caraca, ninguém inclui o FRANKITO LOPES NA LINHA DOS MELHORES. preciso divulgar melhor esse disco. Está postado no ATITUDE UNDERGROUND.

Rsrsrs, com certeza escolher o melhor ou os melhores depende do nosso estado de humor e se fudemos ou não na noite anterior...
Essas bandas mencionadas mostram uma era muito especial do rock, eram tantas bandas de qualidade que até hoje ainda estamos buscando “novidades” daquela época. Você defende que aquele momento faz parte de um ciclo de criatividade que não irá mais retornar? Ou é o nosso gosto, nossas exigências que impedem de ver no novo a qualidade daquele período numa roupagem diferente?

Robert Plant preveu isso nos anos 80. Que o rock passaria por um novo ciclo baseado nas coisas de 60 e 70. Pode ser que sim e até vejo na MTV bandas com um “QUÊ” dos anos 70. A questão não era só as bandas e o ciclo de criatividade. Naquela época, quem sentava com os músicos para definir como seria a gravação de um disco eram pessoas que gostavam e entendiam de música. Não raro a produção era de um músico. Depois essas pessoas foram substituídas por um bando de engravatados que só viam $$$ à frente. Mais recentemente, esse bando morreu e surgiram os YUPPIES que também só veem $$$. A diferença é que os de hoje só pensam no bolso dele. Como você pode pensar em criatividade se o cara te exige vender milhões já no primeiro disco? Que você tem que fazer uma música “assim” para poder ser tema da novela das oito? Você acha que o Milton Nascimento sobreviveria nesses tempos? O cara levou 5, 6 discos para “estourar”. O The Who só foi fazer sucesso com Tommy!


Como historiador tenho muito interesse em trabalhar com a micro-história para quebrar o mito positivista dos grandes heróis e fatos. Esse é o sentido do ATITUDE FANZINE, trazer os bastidores da história do qual somos agentes. O que achou dessa idéia? Tem visitado esse blog e se interessado pelas entrevistas ou acha que é apenas mais proposta sem futuro na net (rsrsrrs)?


Na verdade passei a conhecer o ATTITUDE após você começar a freqüentar o SDN. Todos nós somos agentes da história, em maior ou menor protagonismo. A fila para estrelar os antagonistas já virou o quarteirão.

Há certo narcisismo nesse ato? Todo anônimo quer ser reconhecido? O Fato de montarmos um blog e partilhar nossos gostos já não seria uma manifestação do que estou mencionando?

R: Se fosse verdade não existiria BigClash, Miguelito El Gran Chiuaua, Ser-da-Noite, Johnny F. São nicks. E quando você usa nick abre mão de sua real identidade. Talvez Celso Loos seja um nick!
Acho que muitos usam a internet em suas várias vertentes para comunicar-se. Racionalmente não haveria como se conceber o Orkut. O MSM foi desvirtuado de sua função original e hoje pessoas se comunicam com o colega que mora no andar de cima. Com certeza tudo começa pela necessidade de comunicar-se. Quando o sucesso chega, veja o exemplo do kibeloco ou jacarebanguela, passam a dar entrevista na televisão, onde o contato é mais, digamos, real.


Suas postagens no SERES DA NOITE são realmente especiais. Recentemente baixei o THUNDERCLAP NEWMAN. Faça uma síntese da psicodélica dos anos 60 e seus reflexos no Brasil por intermédio dos Mutantes.

Entendo que aqueles caras pavimentaram vários quilômetros da estrada do Rock "n" Roll. Apesar de não ser meu estilo preferido, adoro Jefferson Airplane e Gratefull. Os reflexos eu não sei te dizer, mas odeio Jefferson Starship e a Rita Lee pós Tutti Frutti.

E qual é o seu estilo preferido? Jefferson Starship e Rita Lee com Roberto de carvalho são exemplos de como a decadência conduz ao comercialismo?

A decadência conduz ao Comercial e o Comercial conduz a decadência. Mas há exceções. A questão é: Tu queres ser um decadente rico ou um rico decadente?

Meu estilo preferido é que postamos no SDN. Rock e Blues Rock. Sou do tempo que Deep Purple e Led Zeppelin eram heavy. Quem é Roberto de Carvalho? Minha lista do que não gosto é maior que a que adoro. Se eu enumerar uns dez, parafraseando o BOSS, o Edson fará 10 laudas para cada um dos 10. Se enumerar mais uns cinco, Miguelito postará um DVD de cada um, com 84 partes cada. Vou deixar o ZéNato fora dessa (por enquanto).



Já que entramos no rock nacional, Mutantes, Casa das Máquinas, o Terço, Made in Brazil etc foram bandas que conseguiram maior destaque. Eu estou tentando resgatar esse período procurando bandas que ficaram perdidas na memória. Você poderia indicar alguma banda brasileira que dificilmente encontraremos por aqui, mas que merece um resgate?
R: Com a chegada da internet não é raro vermos postagens de "Grandes Bandas Injustiçadas", que tiveram seu trabalho podado pela indústria fonográfica e blá-blá-blá. Para ser bem sincero: a grande maioria não deveria ter gravado nada mesmo. Muitas coisas ruins, amadoras ao extremo e que hoje passaram a ser cult. Hoje quando me deparo com um post do tipo "super-banda esquecida", "guitarra fuzzy" "banda pré-grande-banda" ou "trabalho de fulano antes de ficar famoso" eu clico na tecla escape. Uma banda nacional recentemente resgatada foi a "Dick and Mutley", confere aqui http://seres-da-noite.blogspot.com/2009/04/boteco-do-seres-dick-and-mutley.html . Dessas que você citou o TERÇO é para mim a melhor. Se aqueles caras tivessem à época, os instrumentos, os estúdios e a produção que a gringaiada já usufruia eles seriam mundiais. Como músico, Flávio Venturini, se fosse estrangeiro, estaria entre os grandes de seu instrumento. O cara esbanja talento, se bem que muitas vezes mal aproveitado.

Rsrsrsrs, vou avisar a galera do Dick & Mutley...essa foi uma banda realmente injustiçada kákáká... Aliás, nem os próprios integrantes se lembravam mais dela. Mas sinceramente vou te questionar: Muitas coisas boas, com qualidade acima da média ficaram perdidas por não haver espaço comercial para todos. O que me diz do Charlee? Granicus? Jericho Jones? Agora concordo que tem e haverá muita merda aparecendo por aí, principalmente de qualidade e origem duvidosa. Aliás, em breve será resgatado um famoso show do Dick & Mutley no quarto da casa do Marcassa. Quer fazer a pre-compra agora? Rsrsrsrrs. Antes que esqueça e o MÓDULO 1000? Como vê qualidade no disco NÃO FALE COM PAREDES?

Não me furtarei a isso. A verdade é que todas essas bandas citada por tí e, com certeza, outras tantas, tem em menor ou maior grau, seu valor. O Charlee eu já conhecia antes da internet e esse módulo 1000 passeia por vários blogs mais ainda não tive a vontade de ouví-lo. Tenho certeza que muitas bandas realmente não aconteceram não por culpa da qualidade do som que faziam. Muitas eram boas, mas empresariadas mediocremente, outras abusaram cedo das drogas, etc. etc. etc.
Fico pensando quantas bandinhas boas pra car4io existiam na Liverpool dos Beatles.
Mas daí, em todos os post de "super-banda esquecida" achar que lá você encontrará o elo perdido do rock ‘n’ roll é muito exagero.
Outra praga instalada na internet é esse papo de “versão alternativa” feita com outtakes e demos. Cara! O nome já diz: faixas que foram jogadas fora, lixo! Aí vêm os engravatados, embalam de novo e mandam para gente gastar nosso rico dinheirinho.
Aliás, você não sabe me dizer se a Dick & Mutley não teria alguns Outtakes e Demos para resgatar (rs) (brincadeirinha).
COM CERTEZA, ESTAMOS INCLUSIVE RESGATANDO NOSSAS PRIMEIRAS AULAS DE MÚSICAS, OS ACORDES SAGRADOS. EM BREVE LANÇAREMOS UM DISCO COM RARIDADES COMO O PRIMEIRO MI SOLTO, A PRIMEIRA BATIDA NO PRATO E A PRIMEIRA FRASE DO VOCAL rrsrsrrsrsrs, concordo contigo CELSO, há muito exagero nos famosos bônus e discos extras.


ROCK E POLÍTICA? CELSO É MEMBRO DE PARTIDO POLÍTICO OU ALGUMA ONG?
Rock pra mim é hoje só um estilo de música. Fui fundador e diretor de uma ONG ligada à assistência médica, hoje inativa e eu afastado totalmente. Já reparou que toda Organização Não Governamental adora uma verba Governamental? A Política como meio de discussão da sociedade, no Brasil, faliu. Os parlamentares (com p minúsculo mesmo) apenas “parlam” para si. Do executivo, só partem ações que possam se transformar em votos. No judiciário, o que falar quando o mais alto representante do mais alto tribunal do País passa acordado a noite, preparando um habeas corpus para o... (ah, deixa prá lá). Cansei! Próxima!
A única coisa que ainda faço, quando o tempo permite, é dar minhas aulas de informática gratuitas.

Concordo plenamente. A maioria das ONGs infelizmente são apenas agentes de interesses particulares e ficam querendo mamar nas tetas do Estado. Quando era vereador recebia muitos membros de ONGs querendo emendas no orçamento municipal. Era uma merda... Acho que o filme QUANTO VALE OU É POR QUILO representa bem essa situação. DESVIOS DE VERBAS E APROVEITAMENTO DOS RECURSOS PARA FINS PRIVADOS. Como diria Boris, isso é uma vergonha.

E quando é o Vereador que vai atrás da sua ONG com a proposta de um negócio que é bom para todo mundo, menos para quem paga imposto? Agora, gritar é uma vergonha ou esculhambar todo mundo como faz o Datena é fácil. Paga aquele salário para mim e vocês vão ver um verdadeiro porra-louca. Eles são amadores.

Muitas artistas culpam o mp3 pela queda da venda de discos. Isso para mim não seria empecilho se houvesse qualidade. O colecionador compra sempre os lançamentos. Para mim a queda está muito mais relacionada ao excesso de porcarias que infestam o meio. Qual sua opinião sobre o tema?
A internet mudou totalmente a forma de relacionamento com o mundo. Hoje um advogado pode consultar um processo sem sair do escritório; um Juiz faz perguntas ao réu por vídeo conferência; o office-boy não encara mais filas para entregar declarações ou pegar o saldo bancário.
Então porque a música, a maior expressão cultural da humanidade não seria afetada? Para mim, o que acontece é que aqueles que controlam esse grande negócio ainda não perceberam (e se perceberam ainda não agiram) é que as pessoas não querem mais comprar CD, o artefato em acrílico. As pessoas querem e sempre continuarão a querer comprar música. Não concordo contigo. No Brasil, os únicos que ainda vendem, são as porcarias. Taí Joelma e Ximbica para corroborar. ( entendo, mas você está falando da exceção....)
Agora vamos ser sinceros: Mesmos que eles venham a cobrar R$ 1,99 pelo download de um CD, vamos continuar baixando dos amigos. Basta você multiplicar R$ 1,99 pela quantidade de discos que você baixou em 2008 para me dar razão. (com toda certeza iria decretar falência rsrsrrs)
Confira um pequeno texto meu que foi publicado no LP (o título é do Mano Johnny F.) http://lagrimapsicodelica.blogspot.com/2008/02/indstria-fonogrfica-o-motor-mvel-que.html
e que trata também desse assunto.
No dia 20 de Abril ex-integrantes do The Doors irão tocar na vizinha Ribeirão Preto. Dia 21 iremos promover aqui em Bebedouro o HEAVY METAL ASILO unindo a galera que tocava nos anos 80. O que pensa sobre essas propostas saudosistas? A primeira pode ser considerada caça-níquel? E a segunda de reunir amigos para se divertir com shows gratuitos em praça pública (também quem iria querer pagar rsrsrsr)? O Cesar disse que iria tentar arrumar um meio de ir ver o The Doors e se isso ocorrer viria até Bebedouro? Esteja convidado para vir tomar uns gorós com a gente, afinal não podemos negar o nome da cidade (rsrsrrs).

R: Algumas destas voltas visam somente grana mesmo. Algumas poucas ainda têm gás, como o último do Ian Hunter. Mas esse caso específico do THE DOORS, aka Riders on The Storm, é caso de PROCON mesmo.

A POTENTE! CELSO CONVIDA CESAR
PARA UM RACHA! QUEM VENCERÁ?


Shows em praça pública são meus preferidos. Além de ser baratinho (rs) é fácil de sair fora quando não presta (ueba). Se o César vai com aquela Garelli Cinza eu bem poderia ir com a minha vermelha . Brincadeira. Minhas últimas férias de verdade foram em 1993 e desde então sempre tem algum projeto inadiável para entregar. Pra 2009 não tem jeito nem em final de semana prolongado. Mas vou por na fila. Mais uma casa para me hospedar de graça.

Com certeza, a porta está sempre aberta! O bom do nosso show é que o lugar mais confortável para assistir ao evento é um buteco... Aí você já sabe, o show é sempre secundário rsrsrrsrs

Tô começando a mudar de idéia



Quem você considera o THE VOICE do rock? Qual disco indicaria para ser postado junto a essa entrevista?
O The Voice of Rock todo mundo sabe que é o Glenn Hughes. Um discaço que ouvi recentemente é o do James Dewar, baixista que acompanhou por muitos anos o Robin Trower e você pode pegar aqui
Qual é sua mensagem final para a galera que está construindo o universo blogueiro?

R: Para os que estão começando, espelhem-se nos bons exemplos. Respeitar opiniões e lembrar que atrás daquele comentário existe uma pessoa. Outra dica importante é a de não cair na facilidade do CTRL C + CTRL V. Se você puder contratar o Miguelito pra esculhambar o trolls e o Zé Renato para dar um equilíbrio, ajuda muito.
Agora para aqueles que não querem ter seu próprio blog, mas desejariam contribuir com algum, NÃO FAÇAM COM EU. ESCOLHAM UM BLOG QUE TE PAGA AS KUANZAS RIGOROSAMENTE EM DIA.
CELSO: FICO EXTREMAMENTE GRATO POR ESSE BATE-PAPO. FOI DEMAIS PODER PARTILHAR IDÉIAS. DESCULPE ALGUMA BRINCADEIRA. SE DISCORDAR DE ALGO E ACHAR POR BEM DELETAR É SÓ DAR UM GRITO NO E.MAIL OK.
UM FORTE ABRAÇO!