Irena Sendler morreu...sabes quem ela era? Nem
sempre o prémio é atribuído a quem mais o merece...
Irena Sendler
Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu há pouco tempo.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para
trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos
nazistas relativamente aos judeus (sendo alemã!)
Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de
ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua
caminhoneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte
de trás da caminhoneta um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados
nazis quando entrava e saia do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste
encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar
cerca de 2500 crianças.
Por fim os nazistas apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas,
braços e prenderam-na brutalmente.
Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que
conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado
debaixo de uma árvore no seu jardim.
Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem
sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as
câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a
encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz...
mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns
dispositivos sobre o Aquecimento Global.
Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!
Estou transportando o meu grão de areia, reenviando esta mensagem.
Espero que faças o mesmo.
Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a 2ª Guerra
Mundial na Europa. Este e-mail está a se reenviando como uma cadeia
comemorativa, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de
russos, 10 milhões de cristãos e 1.900 sacerdotes católicos que
foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados
com os povos da Alemanha e Rússia olhando para o outro lado.
Agora, mais do que nunca, com o Iraque, Irã e outros proclamando
que O Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o Mundo nunca
esqueça.
A intenção deste e-mail é chegar a 40 milhões de pessoas em todo
o mundo
Une-te a nós e sê mais um elo desta cadeia comemorativa e ajuda a
distribuí-la por todo o mundo..
Por favor, envia este e-mail às pessoas que conheces e pede-lhes
que não interrompam esta cadeia.
Por favor, não apagues simplesmente
Não te levará um minuto a reenviá-lo.
Obrigado
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
LER PARA COMPREENDER OU CONFUNDIR? GOSTARIA DE LER A OPINIÃO DA GALERA. CONCORDAM OU DISCORDAM DESSE HISTORIADOR?
Nos marcos da onda pós-moderna que varreu o mundo durante as décadas de 1980 e 1990, houve uma tentativa revalorização do pensamento de Nietzsche e, inclusive, de aproximá-lo de Marx. Qual a razão disso? Segundo Marshall Berman, ambos estariam envolvidos na “mesma tentativa de expressar e de agarrar um mundo o qual tudo está impregnado de seu contrário”. E mais: eles estariam preocupados na construção de uma “nova espécie de homem (…) que, colocando-se em oposição ao seu hoje, teria a coragem e a imaginação de ‘criar novos valores’”. Para ele, Marx e Nietzsche, teriam sido “simultaneamente entusiastas e inimigos da vida moderna”. Neste sentido, contrapunham-se a maioria dos autores atuais, que possuem uma visão unilateral da modernidade, pois caminhariam para polarizações rígidas e anti-dialéticas na qual a modernidade “ou é vista com um entusiasmo cego, acrítico, ou é condenada (…), sempre concebida como um monólito fechado, que não poderia ser moldado ou transformado pelo homem moderno”.
De fato, os dois autores alemães captaram a crise que impregnava a sociedade capitalista moderna e se colocaram contra ela; mas, indubitavelmente, olhavam esta sociedade em crise de maneira muito diferente. Marx foi um crítico feroz do capitalismo, advogando o fim da exploração do trabalho, a destruição do Estado burguês e sua substituição pelo chamado Estado-Comuna. A perspectiva marxista, portanto, era assentada num democratismo radical-popular, no qual as massas tinham um papel central e positivo na história.
Nietzsche, pelo contrário, era fortemente marcado por um ódio aristocrático às classes populares e ao socialismo, inclusive nas suas formas mais amenas. A sua crítica ao capitalismo era essencialmente conservadora e reacionária. Concentrava seus ataques ao liberal-democratismo que permitiria, ainda que de maneira limitada, a participação política de setores despossuídos. Na sua obra clássica Para além do Bem e do Mal, afirmou: o movimento democrático era “uma forma de degradação da organização política”, equivalente à “degradação e apequenamento do próprio homem”.
Nietzsche, também, não mostrou nenhuma simpatia por aqueles que chamava “cães anarquistas”, que vagueavam “nos becos da civilização”, nem pelos “fanáticos de irmandades que se denominam socialistas” e almejavam construir uma “sociedade livre”. Expressou, por diversas vezes, sua repugnância pela “instintiva hostilidade” dos socialistas “contra toda forma de sociedade que não a do rebanho autônomo (chegando até à própria rejeição dos conceitos ‘senhor’ e ‘servo’ – ni dieu ni maître, diz uma fórmula socialista)”. Repugnava particularmente a irritante resistência à “todo direito particular e privilégios”.
Nietzsche se arremeteu furiosamente contra este “novo homem” emancipado, proposto pelos socialistas. Afirmou ele: “A degeneração geral do homem, até chegar àquilo que hoje aparece aos broncos e cabeças rasas do socialismo como seu ‘homem do futuro’, como seu ideal! – essa degeneração e apequenamento do homem em completo animal-rebanho (ou, como eles dizem, em homens da ‘sociedade livre’), esta animalização do homem em animal anão dos direitos e pretensões iguais, é possível, não há dúvida nenhuma! Quem pensou uma vez nesta possibilidade até o fim, conhece um nojo a mais do que os outros homens.” Ele era um dos que, compreendendo o perigo que o socialismo representava, compartilhava desse nojo aristocrático contra a plebe e seus porta-vozes.
O “homem do futuro” de Nietzsche era de outra natureza. A sua essência seria “guerreira”. Ele estaria, a todo momento, “pronto a sacrificar à sua causa seres humanos”, pois seus “instintos viris se alegrariam com a guerra e a vitória”. E concluiu: este “homem do futuro” renegaria “a desprezível espécie de bem-estar com que sonham merceeiros, cristãos, vacas, mulheres, ingleses e outros democratas”.
Nietzsche sonhava com a chegada deste “homem do futuro”, o “homem redentor”, que nos redimiria “do grande nojo” igualitário. Não foi por acaso que a irmã deste autor, Elisabeth, confundiria o super-homem nietzschiano com Adolf Hitler, o Führer do terceiro Reich.
A maior crítica que dirigiu aos governantes e à sociedade alemã de seu tempo foi quanto à sua incapacidade de impedir a barbárie que viria com a vitória da democracia e o ascenso do movimento operário-socialista. Afirmou: “Ninguém hoje tem mais coragem de ter direitos particulares, de ter direito de domínio (…). Nossa política está doente dessa falta de coragem! – O aristocratismo dos sentimentos foi solapado da maneira mais subterrânea pela mentira da igualdade das almas”. Aqui está, portanto, o radicalismo anti-moderno do pensamento de Nietzsche.
O nosso autor fez, então, uma interessante analogia entre os primeiros cristãos e os movimentos contestatórios contemporâneos, anarquistas e socialistas. Esta mesma operação seria feita por Karl Kautsky e Rosa de Luxemburgo, dois importantes membros da social-democracia alemã, mas com um conteúdo e objetivos completamente diferentes.
Afirmou Nietzsche:
“Pode-se estabelecer entre cristãos e anarquistas uma perfeita equação: sua finalidade, seu instinto, visa somente a destruição (…). O cristianismo foi o vampiro do Império Romano (…). Esta organização (o Império) era firme o bastante para suportar maus césares (…) (mas) não era firme o bastante contra a mais corrupta espécie de corrupção: os cristãos (…). Este bando covarde, feminino açucarado, que passo a passo afastou as ‘almas’ desse descomunal edifício (…). Todo espírito respeitável no império romano era epicurista: então apareceu Paulo (…) contra Roma, contra o “mundo”, o judeu, o judeu eterno par excellence (…). Ele compreendeu como, com o auxílio do pequeno e sectário movimento cristão (…) se pode ascender um ‘incêndio do mundo’; como, com o símbolo ‘Deus na cruz’, se pode somar tudo o que está por baixo, tudo o que é secretamente sedicioso, a inteira herança de agitação anarquista dentro do império, em uma potência descomunal”.
O cristianismo e o socialismo eram os símbolos da decadência imperial antiga e moderna. O que os socialistas viam de positivo na ideologia e na prática igualitaristas, niveladoras, dos primeiros cristãos, Nietzsche via degenerescência e corrupção. Por isto mesmo o seu nojo se estendeu até estas antigas comunidades cristãs.
Nietzsche nunca escondeu sua ideia sobre a necessidade de manutenção da divisão da sociedade em classes sociais como condição sine qua non para manutenção e desenvolvimento da moderna civilização ocidental. Afinal, como ele mesmo disse, “uma cultura superior só pode surgir onde existam duas castas distintas no seio da sociedade: a dos trabalhadores e a dos ociosos (…) ou para dizê-lo com palavras mais fortes, a casta do trabalho forçado e a do trabalho livre”. Os antigos filósofos gregos já haviam difundido esta tese, que se tornou “pedra de toque” de todo pensamento conservador posterior.
Por fim, uma breve nota sobre o anti-semitismo nietzschiano. É verdade que, em alguns momentos, ele se levantou contra os exageros das posições anti-semitas de alguns de seus diletos amigos alemães. No entanto, nunca procurou esconder suas posições preconceituosas contra os judeus, que o incluem no campo dos teóricos anti-semitas.
“Que a Alemanha, afirmou ele, tem judeus mais do que o bastante, que o estômago alemão, o sangue alemão tem dificuldade (e ainda por muito tempo terá dificuldade) para dar conta desse quantum de ‘judeu’ (…) tal é o (…) instinto geral, ao qual é preciso dar ouvidos e pelo qual é preciso agir”.
Isto o levaria a conclamar aos alemães: “’Não deixem entrar novos judeus!’ – em especial do Oriente. ‘Aferrolhem os portões!’ – assim ordena o instinto de um povo cuja espécie ainda fraca e indeterminada, de modo que poderia facilmente (…) ser extinta por uma raça mais forte”. E conclui: “um pensador, que tem na consciência o futuro da Europa, contará, em todos os projetos que faz sobre esse futuro, com os judeus assim como com os russos, como os fatores que, de imediato, se apresentam como os mais seguros e prováveis no grande jogo e combate de forças”.
Premonitoriamente Nietzsche previu os “grandes combates de forças” que se travariam mais tarde entre o império nazista dirigido por Hitler. Neste confronto de titãs, duas perspectivas de humanidade se chocaram. Uma, representada pelo nazismo, advogava a superioridade de alguns poucos escolhidos e a renascimento de um mundo de senhores e escravos. Outra, representada pelos comunistas, que apontava a conquista de uma verdadeira igualdade entre os homens como ponto de partida de uma humanidade emancipada. Marx e Nietsche não estiveram completamente ausentes nestes dias tormentosos da II Grande Guerra Mundial.
Decerto, seria incorreto traçar uma linha reta, sem mediações, entre Para Além do Bem e do Mal e Auschewitz ou entre o conceito “vontade de poder” e a política de extermínio dos nazistas. Mas, sem dúvida, suas ideias faziam parte de um amplo movimento intelectual reacionário e irracionalista que se expandiu pela Europa no pós-1848, como resposta teórica e política à ascensão do movimento democrático, operário e socialista. Elas ajudariam a assentar as bases para a construção de uma forte ideologia militarista e imperialista na Europa, especialmente na Alemanha.
As perspectivas de Marx e Nietzsche são completamente diferentes. Mais do que diferentes, são antagônicas e, portanto, não podem ser conciliadas. O ecletismo teórico, a tentativa de fusão entre dois pensadores tão distantes entre si, só pode ser explicado pela quadra histórica em que viveram estes intelectuais pós-modernos. Espremidos entre a radicalidade do pensamento crítico dos agitados anos 1960, que se esvaziava, e o pessimismo crônico que ganhava corpo com o início da crise das experiências socialistas (e social-democratas) e a ofensiva liberal-conservadora, no final da década de 1970. Ou seja, este ecletismo teórico era um dos reflexos superestruturais de um tempo sombrio. Condições que só começaria a se alterar nos últimos anos do século passado.
Referências
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido se desmancha no ar, Ed. Companhia das Letras.
LUKÁCS, Georg. Ela salto a la razón, Ed. Grijaldo
MARX, K.; ENGELS, F. O Manifesto do Partido Comunista,
NIETZSCHE, Os pensadores, volume I e II, Ed. Nova Cultural.
* AUGUSTO CÉSAR BUONICORE é historiador; mestre em ciência política pela Unicamp
terça-feira, 8 de março de 2011
PARA REFLEXÃO
Marcuse e o fim da sociedade do trabalho
Marcuse e o fim da sociedade do trabalho
Michel Aires de Souza
http://filosofonet.wordpress.com/
Marx, Weber e Durkhein conceberam o conceito de trabalho como a peça fundamental de seus pensamentos. Contudo, em nossa atualidade, o trabalho já não é mais o principal fator que organiza a sociedade. Os sociólogos de hoje consideram outros fatores como modos da organização social, como a família, o racismo, a sexualidade, o corpo. O trabalho tornou-se um conceito ultrapassado. Além disso, os conflitos sociais já não partem mais do antagonismo entre burguesia e proletariado. Hoje, conflitos raciais, separatistas, religiosos e culturais são mais constantes. Em nossa atualidade o trabalho se fragmentou, já não é mais o mesmo. Os trabalhos produtivos da indústria, cujos princípios norteadores eram o fordismo e o taylorismo, que valorizavam a produtividade, controlando os movimentos das máquinas e dos homens no processo de produção, tende a desaparecer. Hoje têm sido criadas novas modalidades de ocupação. A prestação de serviços vem tomando o lugar do trabalho produtivo. Atualmente com o desemprego estrutural (desemprego causada pela crescente mecanização), tem surgido cada vez mais o trabalho informal. Pode ser que num futuro próximo todas esferas da vida social sejam mecanizadas. Se este diagnóstico for correto, qual novo tipo de trabalho seria possível numa sociedade pós-industrial? Qual o novo tipo de indivíduo para esta nova sociedade? Marcuse, filósofo da escola de Frankfurt, em pleno auge da industrialização, na década de cinqüenta, já pensava sobre estas questões. Em seu livro “Eros e civilização” de 1955 ele já pensava sobre o colapso do capitalismo e o fim da sociedade do trabalho. Em sua opinião, a perspectiva de mudanças nos modos e nas relações de produção, com a mecanização e automatização em todas as esferas da vida social, deve possibilitar uma nova forma histórica da realidade. O capitalismo terá seu fim quando todas as esferas da vida social forem mecanizadas e automatizadas acabando com o trabalho produtivo. Ele espera que surja daí uma nova racionalidade, uma vez que todos os bens materiais e intelectuais, sem a necessidade do trabalho, serviriam ao desenvolvimento das potencialidades humanas e estariam a serviço da vida. A proposta de Marcuse é a idéia de uma nova racionalidade sensível, que se caracteriza e se define como racionalidade do prazer. Essa racionalidade se opõe ao moderno conceito de racionalidade instrumental da sociedade capitalista, que se fundamenta numa razão formal, lógico-matemática. A racionalidade do mundo ocidental é uma racionalidade técnica, repressiva, fundamentada numa razão que visa coordenar os meios com os fins, buscando apenas a operação e o procedimento eficaz na exploração e controles da natureza e dos homens. Essa razão abandonou os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade, ela não tem mais a preocupação com a felicidade humana, mas sim com o capital. Contudo Marcuse, em seu livro “Eros e Civilização” diagnosticou que o conceito de razão desenvolvido pelo mundo ocidental desvelou uma forma de razão superior àquela existente na cultura capitalista e que contém sua própria negação, uma razão que signifique contemplação, fruição e receptividade do prazer. Hoje, como sabemos, existem todas as forças materiais e intelectuais necessárias à realização de uma sociedade livre. O progresso humano pode possibilitar a eliminação da pobreza, fome, miséria, trabalho alienado e a repressão. Isto é historicamente possível. “As forças explosivas acham sua manifestação mais significativa na automação. A automação ameaça a inverter a relação entre tempo livre e tempo de trabalho sobre a qual repousa a civilização atual: ela ameaça oferecer a possibilidade do tempo de trabalho se tornar marginal e o tempo livre essencial. O resultado será uma transformação radical do conteúdo dos valores e um modo de vida incompatível com a civilização tradicional. A sociedade industrial é mobilizada e permanece contra essa possibilidade. (Marcuse, 1955, p. 10)
A proposta de Marcuse de uma nova racionalidade sensível surge como desdobramento dialético da racionalidade instrumental. A mudança na base material da sociedade deve mudar a forma da realidade. Se a forma da realidade é o da racionalidade instrumental, com o fim da sociedade do trabalho deve surgir uma nova racionalidade sensível. Nesta nova racionalidade as novas formas de trabalho seriam lúdicas. A redução quantitativa do trabalho necessário poderia se transformar em liberdade e em uma melhor forma e qualidade de vida. O trabalho automático, irritante e desprazeiroso seria abolido e substituído pelo trabalho lúdico. O trabalho deve ser acompanhado da reativação do erotismo polimórfico, ou seja, da capacidade de sentir prazer. Essa idéia de relações libidinais no trabalho surge em Fourier. Marcuse assimila em sua teoria os conceitos de “attraccion passionnée” ou “Travail attrayant” Para Fourier o trabalho deve ser atraente e prazeroso, pois é possível a criação de uma cooperação agradável entre os indivíduos. Essa atração tem três objetivos: “a criação do luxo e do prazer dos ‘cinco sentidos’; a formação de grupos libidinais (de amor e amizade) e o estabelecimento de uma ordem harmoniosa organizada por grupos de trabalho, de acordo com as ‘paixões individuais’ (‘jogo’ interno e externo das faculdades)” (Marcuse, 1955, p.189). O trabalho seria organizado tendo em vista a economia de tempo e espaço para o desenvolvimento integral do indivíduo. Seria um novo mundo estético, onde o trabalho seria lúdico e prazeroso. Todas as esferas da vida social seriam organizadas de tal forma, que propiciaria o pleno desenvolvimento do indivíduo e de suas faculdades receptivas e de fruição do prazer. O homem modelaria a realidade pela sua imaginação produtora, transformando a realidade em obra de arte.
Nesta nova racionalidade do prazer o próprio indivíduo modificaria sua estrutura psíquica. Contra uma concepção de indivíduo como Logos (Razão), surge a noção de indivíduo como Eros (Amor). O novo indivíduo proclamado por Marcuse tem seu fundamento na teoria das pulsões freudiana. Partindo de uma interpretação da obra Freud, à luz do marxismo, Marcuse buscou desenvolver uma nova concepção de natureza humana. O indivíduo foi entendido por ele como pulsão de vida (Eros). Na teoria freudiana essa pulsão é o impulso que preserva a vida e procura criar complexidades cada vez maiores de vida. Eros é a pulsão que busca a satisfação da sexualidade, do prazer e do amor. A luta pelo prazer se constitui como um anseio de toda matéria orgânica pela existência. Segundo Marcuse, nos primórdios da matéria orgânica, a razão surge no mundo como busca do prazer e fuga da dor. Mas quando a civilização através da luta pela existência se transformou em dominação pelos interesses de classes, a razão se converteu em repressão. Por este motivo, Marcuse, busca recuperar a antiga essência da razão humana. A razão tem como objetivo aliviar as tensões do organismo através do prazer. Na teoria freudiana, a função do aparelho neuronial é aliviar as tensões endógenas e exógenas do organismo. A função de descarga motora dá-se pelo impulso de prazer (Eros). Mas essa descarga se tornou em nossa época ação convertida em trabalho. O aparelho mental perdeu sua natureza essencial que era aliviar as tensões internas através de Eros. Hoje essas tensões são aliviadas no trabalho, que produz mais tensões e frustrações. Todas as forças psíquicas e físicas são empregadas na alteração apropriada da realidade. O objetivo de Marcuse, portanto, é recuperar a antiga função do aparelho neuronial como pulsão. A razão deveria assumir seu estado natural, a razão deveria transformar-se em Eros (pulsão de vida). Com isso, Eros redefiniria a razão em seus próprios termos. Essa nova razão, em uma sociedade futura, seria personificada na realidade em todas as esferas da vida social.
Bibliografia
MARCUSE, H. Eros et Civilization, Paris, Edtions de Minuit,
1955.
OFF, Clauss. Trabalho: a categoria-chave da sociologia? In: Revista Brasileira de Ciências sociais. Nº 10, V.04, junho de 1989.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
ESSA É BOA!
| Um senhor vivia sozinho em Minnessota. Ele queria virar a terra de seu jardim para plantar flores, mas era um trabalho muito pesado. Seu único filho, que o ajudava nesta tarefa, estava na prisão. O homem então escreveu a seguinte carta ao filho: 'Querido Filho, estou triste, pois não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não poder fazê-lo, porque sua mãe sempre adorou flores e esta é a época certa para o plantio. Mas eu estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar, pois estás na prisão. Com amor, Seu Pai.' Pouco depois, o pai recebeu o seguinte telegrama: 'PELO AMOR DE DEUS, Pai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos' Como as correspondências eram monitoradas na prisão, às quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes do FBI e policiais apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar qualquer corpo. Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera. Esta foi a resposta: 'Pode plantar seu jardim agora, amado Pai. Isso foi o máximo que eu pude fazer no momento..' Estratégia é tudo!!! 'Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional' |
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
"Na verdade,a predominância da hipocrisia desgoverna uma cidade! "
O que mais nos afeta: Tragédias Naturais ou Politicos corruptos ?
Seriam alguns nobres politicos a nossa tragédia que provocam mortes e desgraças para conseguirem dinheiro ? Não são todos é bem verdade, mas certamente a grande maioria só quer trabalhar em causa própria.
domingo, 9 de janeiro de 2011
AINDA É IMPORTANTE PENSAR NO QUE MARX DIZIA
o capitalismo gera seu próprio coveiro
e você? ainda continua a acreditar naquele que te explora?
Proletários
Já não acreditamos
Em nenhuma teoria
Falsas verdades
Da elite minoria
Arreiem todas bandeiras
Destruam todas as fronteiras
Todo proletário
Se libertar
Do Estado
Proletário
Deixamos os generais
Sem exércitos
Os patrões sem empregados
Os demagogos sem nossos votos
Os exploradores
Sem explorados
Proletário
Proletários
De todo mundo
Sobre as ruínas
Da hipocrisia
Marchem ombro a ombro
De cabeças erguidas
Proletário
EU SEI QUE OS GAROTOS PODRES SÃO ANARQUISTAS.. NÃO PRECISA CRITICAR rsrsrsrsrsrs
Já não acreditamos
Em nenhuma teoria
Falsas verdades
Da elite minoria
Arreiem todas bandeiras
Destruam todas as fronteiras
Todo proletário
Se libertar
Do Estado
Proletário
Deixamos os generais
Sem exércitos
Os patrões sem empregados
Os demagogos sem nossos votos
Os exploradores
Sem explorados
Proletário
Proletários
De todo mundo
Sobre as ruínas
Da hipocrisia
Marchem ombro a ombro
De cabeças erguidas
Proletário
EU SEI QUE OS GAROTOS PODRES SÃO ANARQUISTAS.. NÃO PRECISA CRITICAR rsrsrsrsrsrs
Miséria, o mais genuíno produto do capitalismo
Que a miséria é o mais genuíno produto do capitalismo nos mostra a 10ª edição do Relatório da Riqueza Mundial, divulgado em junho deste ano pelo conglomerado Merrill Lynch e Capgemini, sem dúvidas grupo insuspeito de qualquer simpatia pela causa dos trabalhadores e dos povos explorados em todo o mundo. Segundo o Relatório, a riqueza dos “indivíduos de altos recursos líquidos” (a classe dominante imperialista) registrou um aumento de 8,5% em 2005 em relação ao ano anterior, atingindo a fabulosa marca dos US$ 33,3 trilhões, 54% de toda riqueza produzida no planeta.
O Relatório considera “indivíduos de altos recursos líquidos” (high net worth individuals, HNWIs, da sigla em inglês) as pessoas com “recursos financeiros líquidos” de pelo menos US$ 1 milhão, excluindo sua principal residência e “produtos consumíveis”.
Dentre esse punhado de capitalistas, milionários e magnatas, que representam 0,1% da população mundial, a pesquisa destaca ainda um grupo restrito, de 85 mil capitalistas individuais, que dispõem de pelo menos US$ 30 milhões em “recursos financeiros líquidos”, cada um deles, os chamados “ultra-HNWIs”, ou “ultra-ricos” na linguagem do Relatório.
O Relatório mostra também, segundo os critérios da pesquisa, que analisou 69 países responsáveis por 98% da “renda bruta global”, que a América Latina registrou um dos maiores índices de crescimento no número de “milionários” em 2005, 9,7% em relação ao ano anterior, quando comparado com o crescimento mundial médio no número de “milionários” no mesmo período, de 6,5%.
O ‘destaque’ latino-americano ficou com o Brasil da era Lula, que registrou o maior crescimento no número de “milionários”, 11,3% em relação ao ano anterior. Entre 2003 e 2004, o número de “milionários” brasileiros cresceu 7,7%. No Brasil, havia em 2005, segundo o Relatório, 109 mil “milionários”, isto é, pouco mais de 0,05% da população.
Sabemos desde Marx que a miséria é o produto mais genuíno do capitalismo. Marx diz que a lei geral da acumulação capitalista implica necessariamente, ao lado da acumulação da riqueza nas mãos de cada vez menos ricos, a generalização da miséria entre os povos do mundo todo. Característica intrínseca ao modo de produção capitalista que vemos hoje se materializar diante de nossos olhos nos Relatórios da Merrill Lynch e Capgemini e da CEPAL.
Diz Marx que a lei geral da acumulação capitalista “(...) ocasiona uma acumulação de miséria correspondente à acumulação de capital. A acumulação da riqueza num pólo é, portanto, ao mesmo tempo, a acumulação de miséria, tormento de trabalho, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no pólo oposto.” (K. Marx, O Capital, Livro II, Capítulo XXIII, Abril Cultural, 1984, p. 210).
Concentração e centralização [1] de capital e acumulação de miséria que vem se agravando no Brasil com o processo de regressão que já apontamos quando analisamos as características atuais da formação econômico-social brasileira, do qual o movimento de transferência das montadoras de automóveis para a Ásia é mais um sintoma.
É importante tornar mais claro agora que o processo de regressão a uma situação colonial de novo tipo que vem sendo imposto pelo imperialismo ao povo brasileiro, está resultando, pela lógica inerente ao capital, que não só as filiais das empresas imperialistas como também as empresas de capital nacional que acumulavam internamente busquem transferir suas fábricas para localizá-las onde for possível comprar a força de trabalho a menor preço. Situação na qual a China e outros países asiáticos são imbatíveis. Portanto, mais desemprego e miséria para nosso povo.
Um exemplo disso, que chega às manchetes do jornal, está nas demissões que as montadoras de veículos vêm realizando e ameaçando realizar no Brasil, movidas pela voracidade de lucros que as leva a lançar no desemprego e no desespero operários no Brasil para empregar de forma bárbara a força de trabalho da China, explorando sem nenhum problema de consciência trabalho semi-escravo, realizado abaixo do nível de subsistência, com operários dormindo em alojamentos na fábrica, como noticia com grande satisfação a revista “Veja” em reportagem especial sobre a China (Veja, 9/8/06 ).
Para se ter uma idéia do que significa o processo de concentração de riqueza num pólo “e, portanto, ao mesmo tempo, a acumulação de miséria, tormento de trabalho, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no pólo oposto”, é só comparar os números da riqueza com os números da miséria, utilizando novamente dados do insuspeito “Panorama Social da América Latina”, elaborado pela CEPAL.
A pesquisa da CEPAL estima que, em 2005, havia 213 milhões de pobres e 88 milhões de indigentes na América Latina, respectivamente 40,6% e 16,8% da população, o que somado corresponde a que o mais legítimo produto do capitalismo na América Latina se expresse numa população de 301 milhões de miseráveis, ou 57,4% da população da região.
Este é, como nos mostra Lênin, o resultado do imperialismo, do “(...) capitalismo que se transformou num sistema universal de opressão colonial e de asfixia financeira da imensa maioria da população do globo por um punhado de países ‘avançados’. E a partilha deste ‘saque’ faz-se entre duas ou três aves de rapina, com importância mundial, armadas até os dentes (...) [hoje além dos EUA, Inglaterra e Japão, as “novas aves de rapina”, como a União Européia] que arrastam consigo toda a Terra na sua guerra pela partilha de seu saque.” (Lênin, Imperialismo, fase superior do capitalismo, Global editora, 1979, p.11).
Este é, como nos mostra Lênin, o resultado do imperialismo, do “(...) capitalismo que se transformou num sistema universal de opressão colonial e de asfixia financeira da imensa maioria da população do globo por um punhado de países ‘avançados’. E a partilha deste ‘saque’ faz-se entre duas ou três aves de rapina, com importância mundial, armadas até os dentes (...) [hoje além dos EUA, Inglaterra e Japão, as “novas aves de rapina”, como a União Européia] que arrastam consigo toda a Terra na sua guerra pela partilha de seu saque.” (Lênin, Imperialismo, fase superior do capitalismo, Global editora, 1979, p.11).
Hoje mais do que nunca é de fundamental importância para a classe operária e os povos de todo o mundo retomar o marxismo e voltar a Lênin, reler o “Imperialismo, fase superior do capitalismo”, principalmente no Brasil, em nosso continente submetido ao saque contínuo, pela implementação das políticas do imperialismo, entusiasticamente abraçadas pelas classes dominantes, políticas que levam a uma radical separação de classes, cada vez mais gritante.
O resultado lógico e ao mesmo tempo absurdo da intensificação das políticas do imperialismo para as populações das três maiores economias da região é apresentado na tabela abaixo, elaborada a partir do documento da CEPAL:
Efeitos da política do imperialismo nas três maiores economias latino-americanas.
Pobres e miseráveis como percentual da população, segundo metodologia da CEPAL
Pobres e miseráveis como percentual da população, segundo metodologia da CEPAL
A concentração de riqueza, concentração de capital, processo intrínseco e necessário à reprodução capitalista, vem se aprofundando em toda a economia mundial.
Em contrapartida cresce a fome, a miséria, o desemprego, as condições de trabalho se deterioram com a entrada de novas áreas de exploração da força de trabalho a preços baixíssimos (China, Ásia) diante da nova divisão internacional do trabalho. O agravamento das condições de saúde, saneamento, educação aumenta rapidamente, a olhos vistos para a imensa maioria da população mundial, mesmo para a população dos países imperialistas.
Vimos afirmando que a crise estrutural e as crises conjunturais da economia capitalista mundial, a partir do recuo da posição revolucionária na luta de classes e da derrota provisória na construção do socialismo, com a restauração do capitalismo nos países que desenvolveram estas experiências, vêm agravando o conjunto das contradições do sistema imperialista com todos os seus desdobramentos, principalmente a contradição entre países dominantes ou imperialistas e países dominados, e cada vez mais, a contradição interimperialista, cujo exemplo mais recente e típico em nível de barbárie está na agressão selvagem ao Líbano.
Para tentar contrarestar sua crise o imperialismo só tem a oferecer aos povos do mundo a barbárie.
Só através do rebaixamento do valor da força de trabalho, nos limites que lhes permite a luta de classes, só através da barbárie, da “acumulação de miséria, tormento de trabalho, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no pólo oposto”, como nos alertava Marx, sobrevive o imperialismo.
Situação para a qual vêm sendo arrastados enormes contingentes da população mundial, em particular as classes dominadas dos países dominados, através do arrocho salarial e da ‘flexibilização’ das leis trabalhistas e do desmonte das estruturas de proteção social conquistadas na luta de classes, como saúde, educação, previdência e assistência social públicas. Barbárie que o governo Lula ajuda a empurrar goela abaixo do povo com suas “políticas sociais abrangentes”.
Quando isso não basta para contrarestar a tendência a cair da taxa de lucro, o imperialismo utiliza a chantagem e a agressão militar aos países dominados, disputando o controle de zonas de valorização do capital, mercados e fontes de matérias-primas, hoje principalmente petróleo, gás, etc, (commodities), disputando, como diz Lênin, zonas de influência com outros países imperialistas.
Os efeitos da aplicação diligente das políticas do imperialismo pelos governos dos países dominados – representantes das classes dominantes desses países – são catastróficos, como denunciou Jean Ziegler, relator da ONU para o Direito à Alimentação, em discurso pronunciado em junho deste ano:
Mais de 100 mil pessoas morrem devido à fome todos os dias ao redor do mundo.
A cada quatro minutos uma criança fica cega por falta de vitamina A.
A cada sete segundos uma criança menor de dez anos morre devido à desnutrição.
Ainda segundo Ziegler, esse verdadeiro genocídio ocorre apesar de o mundo ter hoje a capacidade de produzir alimentos para 12 bilhões de pessoas, ou seja, o dobro da população atual.
A constatação de que o capitalismo só leva à barbárie dá a certeza de que não há outro caminho que não o da luta para derrotar o imperialismo e construir o socialismo. Barbárie exposta nas contundentes denúncias do presidente Fidel Castro em seu célebre discurso de Monterrey, em 2002, em que aponta a acumulação de miséria para os povos dos países dominados e a acumulação de riqueza para a classe dominante dos países imperialistas:
A constatação de que o capitalismo só leva à barbárie dá a certeza de que não há outro caminho que não o da luta para derrotar o imperialismo e construir o socialismo. Barbárie exposta nas contundentes denúncias do presidente Fidel Castro em seu célebre discurso de Monterrey, em 2002, em que aponta a acumulação de miséria para os povos dos países dominados e a acumulação de riqueza para a classe dominante dos países imperialistas:
“Esta ordem econômica conduziu 75% da população mundial ao subdesenvolvimento. A pobreza extrema do Terceiro Mundo envolve 1,2 bilhão de pessoas. O fosso aumenta, não diminui. A diferença de renda entre os países mais ricos e os mais pobres, que era de 37 vezes em 1960, é, hoje [2002], 74 vezes maior. Chegou-se a tal extremo que as três pessoas mais ricas do mundo possuem ativos equivalentes ao PIB dos 48 países mais pobres juntos.”
* * *
NOTA
[1] Processo de concentração de capital típico do processo de produção capitalista, quando cada capitalista acumula cada vez mais capital em suas mãos, movimento que corre junto ao processo de centralização do capital quando uma parte dos capitalistas centraliza em suas mãos capital já acumulado na mão de outros capitalistas individuais.
Este artigo encontra-se em www.cecac.org.br
sábado, 11 de dezembro de 2010
S.O.S EDUCAÇÃO
Podemos, por esse ângulo, olhar uma vez mais para a situação atual da educação brasileira.
Vergonha que se aprofunda a cada nova avaliação, seja um Enem, um Saeb, um Enade, um Pisa... As informações desmascaram e corroboram. Denunciam situações-limite e reafirmam a sensação de fracasso, a realidade do fracasso.
Quem tiver alguma proposta para salvar a educação deixe um comentário
sábado, 4 de dezembro de 2010
CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA
O linguista Noam Chomsky elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?"Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")".
6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
domingo, 28 de novembro de 2010
PARA REFLEXÃO
Não haverá vencedores
Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.
Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.
As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histó rica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna "guerra" entre o bem e o mal.
Como o "inimigo" mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da "guerra", enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fáb rica , na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de "guerra"- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário...
MARCELO FREIXO, professor de história, deputado estadual (PSOL-RJ), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
MARCELO FREIXO
| Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública do Rio terá de passar pela garantia dos direitos dos cidadãos da favela |
Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.
Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.
As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histó rica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna "guerra" entre o bem e o mal.
Como o "inimigo" mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da "guerra", enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fáb rica , na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de "guerra"- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário...
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